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O comboio não passa muitas vezes

O comboio não passa muitas vezes

Hoje, o país vai ficar a conhecer o plano do atual Governo para a alta velocidade. Antes tarde que nunca, como diz o sábio ditado popular, mas já sem conseguir superar o grande custo de oportunidade que duas décadas, de avanços e recuos nesta matéria, representaram.

Em matéria de ferrovia, Portugal perdeu sucessivamente terreno face à generalidade dos congéneres europeus e está muito atrasado na ligação à rede europeia de alta velocidade. Espanha, por exemplo, foi capaz de construir em 30 anos uma rede de comboios rápidos superior à que França - criadora do TGV - dispõe neste momento.

Estamos, portanto, numa fase em que não podemos retardar mais este processo, sob pena de acentuarmos a nossa condição periférica e, entre outros pontos relevantes, incumprirmos com as ambiciosas metas que a Europa definiu ao nível da sustentabilidade e descarbonização. É fundamental que os projetos hoje apresentados não sejam meras manifestações de vontade, antes planos concretos, verificáveis e exequíveis num horizonte de curto e médio prazo.

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Nesta emergência nacional que é a ferrovia, o corredor Lisboa-Porto-Vigo assume particular urgência económica, por corresponder, desde logo, à faixa de território onde se concentra mais de metade da população, mas por servir também os grandes centros produtivos do país. Para o Porto e Norte, em particular, ter uma ligação de alta velocidade à Galiza é essencial para reforçar a importância dos seus interfaces aeroportuários - Leixões e Sá Carneiro -, oferecer mais soluções de transporte às empresas e acrescentar valor à economia regional.

Outro aspeto fundamental será o novo paradigma de mobilidade urbana e interurbana que a modernização da ferrovia vai representar. As duas regiões metropolitanas do país vão aproximar-se, ainda mais, das grandes periferias, permitindo a diminuição do uso do transporte individual, um progressivo descongestionamento da circulação de pesados e uma menor densificação da malha urbana. As cidades vão respirar melhor e ser mais bem servidas.

Por estas e muitas outras razões, não podemos ficar a ver o comboio da alta velocidade passar. Ele pode não passar muitas mais vezes.

Empresário e presidente da Associação Comercial do Porto

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