Opinião

O dia mais importante dos próximos quatro anos 

O dia mais importante dos próximos quatro anos 

Domingo é o dia em que Portugal decide o que quer para os próximos quatro anos. Entre a possibilidade de uma maioria absoluta, agora menos provável, e um cenário bipolarizado, como as sondagens apontam, o importante é que existam condições de moderação e de estabilidade para toda a legislatura.

Não me atrevo a fazer de Zandinga e arriscar previsões infalíveis. Sei é que os portugueses normalmente votam com inteligência e responsabilidade, rejeitando soluções extremistas. Parece por isso certo que teremos um Governo quase maioritário, suportado por acordos parlamentares, duradouros ou pontuais. Em tese, António Costa poderá estabelecer acordos com qualquer um dos partidos da Oposição. Como poderá preferir um acordo a quatro anos com apenas um ou alguns deles. E isso será importante para garantir que o país não somará instabilidade interna à previsível agitação internacional (Brexit, economia, eleições em Espanha, eleições americanas).

Uma vez que tenho vindo a referir-me a praticamente todos, devo dizer que, do ponto de vista programático, o CDS é o partido que mais se preocupa com a iniciativa privada - investimento, política económica e incentivo às empresas, políticas de família e de defesa do Estado de direito. Mas, apesar disso e da boa campanha que fez, o CDS comete o erro capital de se opor categoricamente à regionalização, o que o remete para a sua condição de partido geograficamente cerceado, não representando o Portugal de Aveiro, de Ponte de Lima, do Marco de Canaveses ou de Viseu. É pena.

Num país em que, à exceção dos habitantes de Lisboa, maioritariamente todos defendem o processo de regionalização, o CDS junta-se aos medos do PS - "não podemos regionalizar porque o presidente da República é contra", nas palavras de Costa, mesmo sabendo que o PR respeitará o que os partidos legitimamente decidirem, e à falta de clareza do PSD - Rio admite a regionalização desde que esta reduza a despesa, o que me parece ser uma consequência óbvia e obrigatória desse reforma. Enfim. Agora, vamos a votos.

Empresário e presidente da Associação Comercial do Porto

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