Opinião

O salto em frente que é preciso

O salto em frente que é preciso

Os dados divulgados pelo Eurostat na última semana são, uma vez mais, pouco animadores para Portugal.

De acordo com as estimativas de PIB per capita para 2021, conseguimos a proeza de agravar o nosso atraso económico face à média europeia e estamos consistentemente a ser ultrapassados pelos países do antigo bloco de leste que, em 30 anos de democracia e 20 de integração europeia, já apresentam níveis de riqueza produzida e distribuída superiores ao nosso país.

Desgraça ou fatalidade lusa? Não. O nosso fado é outro: baixa produtividade, défice de qualificações, ausência de políticas reais de crescimento económico. Estes e outros fatores estruturais são aqueles que contribuem, de facto, para estarmos na última carruagem do comboio europeu, para o qual já entramos em 1986. E a tendência parece não ser para melhorar, a avaliar pelas estimativas em baixa do Banco de Portugal, relativamente às taxas de crescimento económico para 2023 (2,9%) e 2024 (2,0%).

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Estas previsões acontecem numa altura em que iniciamos um novo ciclo de governação, legitimado por uma maioria clara dos eleitores e que dispõe de algumas alavancas que podem, se bem geridas e aplicadas, contribuir para abandonarmos as posições traseiras nos rankings económicos. Renova-se, portanto, o desafio a António Costa e ao seu Executivo: realizar as reformas necessárias para melhorar a competitividade da nossa economia, dar um novo fôlego às nossas empresas e tirar o país da cauda da Europa.

Para tal, beneficia ainda de uma conjuntura particular e que decorre do facto de Portugal estar menos exposto às consequências da guerra na Ucrânia, do que, por exemplo, países do centro europeu. Estamos geograficamente mais distantes, menos dependentes dos recursos energéticos, e oferecemos mais estabilidade e segurança a quem procura investir. Podemos, neste quadro, ser uma referência ao nível da atração de capital estrangeiro nos próximos anos, o que muito favoreceria a nossa economia e dava mais esperança aos nossos empresários.

As condições existem. A necessidade de mudar também. Tenhamos a boa governação que nos tem faltado, para dar o salto em frente que o país precisa.

*Empresário e pres. Ass. Comercial do Porto

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