Opinião

Pasteleira: há dinheiro para seringas, não para a Polícia

Pasteleira: há dinheiro para seringas, não para a Polícia

Passaram mais de seis meses desde que aqui denunciei o drama da toxicodependência a céu aberto entre o Fluvial, Serralves e a Pasteleira.

Há dias, o JN voltou ao local e dava notícias "dos quilos e quilos de detritos, seringas, toalhetes desinfetantes, preservativos, ampolas e embalagens dos kits espalhados pelo chão". Os cidadãos consideram, e bem, estar em causa a saúde pública. Em meio ano, tudo piorou e nada aconteceu.

Não é um problema escondido. Pelo contrário, está bem à vista. Todos os dias, centenas de marginais acorrem à zona da Pasteleira - junto a parques e a um museu, a vários hotéis, a diversas escolas e ao rio Douro -, para traficar e consumir drogas. E, por arrasto, para fazer alastrar a criminalidade às redondezas, roubando, assustando e intimidando a população. Não tenhamos ilusões: estamos perante um novo "S. João de Deus" ou um "Casal Ventoso" à moda do Porto.

Esta vergonha sem nome confronta-se com a impotência e com o negacionismo. A PSP atua e detém traficantes, levando-os à justiça. Resultado: o tribunal manda-os em liberdade. A prometida videovigilância não foi ainda instalada, talvez devido a essa magna que é a proteção de dados. Os serviços do Ambiente da Câmara limpam relvados e jardins que, horas depois, voltam a estar pejados de drogados e dos seus apetrechos. Em suma: não há dinheiro para contratar mais agentes nem para equipar a Polícia, mas há dinheiro para distribuir seringas descartáveis a quem se queira injetar na via pública.

Do Governo ou da ministra da Administração Interna não ouvimos palavra. O mesmo quanto aos partidos de Esquerda, sempre tão prontos a denunciar a mais pequena chaga social ou qualquer atentado às liberdades individuais (é exatamente isso que está em causa no Fluvial). Será preciso o senhor presidente da República vir ao Porto, conhecer "in loco" e alertar para esta tragédia - como tem feito quanto à questão dos sem-abrigo - para que o poder político acorde do seu confortável negacionismo?

* EMPRESÁRIO E PRES. ASS. COMERCIAL DO PORTO

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