Opinião

Porto, cidade livre e independente

Porto, cidade livre e independente

Em artigo publicado no JN de 7 de fevereiro, o Senhor Dr. Ricardo Valente, vereador da Câmara do Porto, vem tentar iniciar comigo, sem sucesso, uma polémica a propósito da eventual concessão do Coliseu do Porto. Sucede que o faz com base em falsidades, incorreções, interpretações erradas e abusivas.

Vejamos:

1. Afirma o Dr. Ricardo Valente que eu exigi que a Câmara do Porto pague a reabilitação do Coliseu e que o municipalize. Falso. Basta ler o que escrevi no JN de 5 de fevereiro para se concluir que concordo com o modelo de concessão. Desde que, como disse, ele seja claro e rigoroso, protegendo a concorrência, os direitos dos trabalhadores e os interesses dos proprietários do edifício, que, como se sabe, constituem a Associação Amigos do Coliseu. Defendo ainda que a identidade, o ecletismo e o caráter do Coliseu, ícone da nossa cidade, devem ser preservados e promovidos. A concessão é um modelo que defendo. Desde que com condições e com transparência. Não admito, a prazo, ver o Coliseu transformado num templo religioso, num supermercado ou num ginásio low-cost.

2. Escreve o Dr. Ricardo Valente que eu fiz parte do Conselho Municipal de Economia e que me autoexcluí do mesmo. Falso. Estranho até que o vereador com o pelouro da Economia desconheça que quem tem assento no referido Conselho é a Associação Comercial do Porto, a título institucional, sendo representada por um membro da sua Direção. Mais estranho ainda é o facto de a Associação Comercial do Porto e o seu representante não terem sido convocados para a reunião do Conselho Municipal onde se debateu a questão do Coliseu. Terá sido lapso? Terá sido conveniência? O facto é que a voz da Associação Comercial não pôde fazer-se ouvir naquele órgão municipal.

3. Acresce que, na minha opinião, de resto partilhada por inúmeras instituições e personalidades da cidade, não cabe ao Conselho Municipal de Economia o debate e a decisão do futuro do Coliseu. A decisão cabe, isso sim, à Assembleia-Geral dos Amigos do Coliseu, associação precisamente criada para evitar que o edifício e tudo o que ele representa viesse a cair em mãos erradas. Hoje, como então, a sociedade civil do Porto não abdica do seu património e dos seus valores imateriais.

4. Nesse sentido admiti, e continuo a admitir, que a cidade se volte a unir em torno do seu Coliseu e que consiga reunir o financiamento necessário para suportar as inadiáveis obras naquela sala. Disse, e escrevi, que a Associação Comercial do Porto estaria na primeira linha desse movimento e prestaria o seu contributo financeiro, se necessário. Não quero acreditar que a Câmara Municipal do Porto não incorpore e não se junte a esse movimento das forças vivas da cidade, contribuindo para as obras na parte que, como membro dos Amigos do Coliseu, lhe competiria.

5. O Dr. Ricardo Valente tem a infelicidade de tocar o tema da concessão do Pavilhão Rosa Mota. Ora esse é assunto sobre o qual, por uma questão de respeito institucional e de decência, assumi não voltar a falar. Tenciono manter essa decisão.

6. Por fim, vem o Dr. Ricardo Valente insinuar quanto a uma hipotética municipalização do Palácio da Bolsa. O Dr. Ricardo Valente, apesar de ser economista e vereador, parece conhecer pouco e mal a história da cidade e talvez ainda pior a sua realidade atual. A Associação Comercial do Porto tem quase 200 anos de vida e de defesa dos interesses do Porto. É dona de voz própria, livre e independente. Detém total autonomia económica e financeira. Não depende do Estado nem da Câmara. Depende apenas e só da vontade dos seus associados. Muitos tentaram calar a Associação Comercial do Porto. Em 200 anos, ninguém conseguiu.

Empresário e Presidente da Associação Comercial do Porto

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