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Porto inseguro, nem pensar

Porto inseguro, nem pensar

Os acontecimentos que, no mês de julho, deixaram em sobressalto a cidade do Porto em matéria de segurança pública constituem mais um flagrante exemplo de como o Estado falha no cumprimento das suas responsabilidades para com o cidadão. Na linha dos serviços de urgência obstétrica que fecham, dos comboios sem ar condicionado ou dos aeroportos em estado caótico, foi possível constatar uma esquadra de Polícia encerrada em pleno fim de semana de verão. Seria péssimo em qualquer circunstância, mas acontecer no Centro Histórico de uma das cidades mais visitadas da Europa, é um verdadeiro certificado de incompetência.

O episódio devia embaraçar de morte o ministro, cuja única atitude compreensível seria a de pedir desculpa à população e aos agentes económicos do Porto. Ao invés, José Luís Carneiro falou em ajustamentos de horário, socorrendo-se da atitude desresponsabilizante que tem feito escola no Governo.

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Para cúmulo - do ridículo, neste caso - a alternativa encontrada foi uma carrinha de patrulhamento móvel, que começou a circular às 18 horas e às 22 deixou de trabalhar, por falha de energia. Toda esta trapalhada seria cómica, se não fosse trágica e preocupante, uma vez que, poucos dias depois, em plena Avenida dos Aliados, ocorreu mais um crime violento.

Há dois anos, nesta mesma coluna, alertei para o facto de não nos podermos acomodar à ideia de termos uma cidade perigosa e violenta. A verdade é que estes episódios, a somar a outros problemas crónicos como o tráfico de droga e o crime organizado, fazem soar todos os alarmes e justificam uma tomada de posição firme e inequívoca de todas as forças vivas portuenses. Temos de exigir ao Estado que sejam garantidas condições de segurança pública próprias do nosso tempo, reforçando a Polícia com os meios humanos e técnicos necessários ao cumprimento das suas funções.

A insegurança não pode persistir e os fenómenos de violência não podem recrudescer. Termos um Porto seguro para residentes e visitantes é o mínimo a que podemos aspirar enquanto comunidade.

*Empresário e pres. Ass. Comercial do Porto

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