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Retomar de vez o turismo

Retomar de vez o turismo

O primeiro trimestre de 2022, acompanhado pelo alívio das restrições pandémicas, trouxe uma retoma assinalável do turismo.

Isso é verificável, por exemplo, quando olhamos para o tráfego aéreo no Aeroporto do Porto no último trimestre de 2021 e o mesmo já se aproxima dos valores de 2019, indiciando que possa vir a superar essa meta neste verão. Mas também se constata no regresso dos turistas aos edifícios históricos, como é o caso do Palácio da Bolsa, cujo volume de turistas nos primeiros quatro meses deste ano compara já em cerca de 93% com o mesmo período, no ano de 2019.

São sinais inequivocamente positivos e que representam a esperança de um regresso à normalidade num dos setores mais castigados pela covid-19. Ao mesmo tempo, trata-se de um dado importante para a economia portuguesa, porque falamos de um cluster muito relevante, com grande peso no PIB e que pode ter um contributo decisivo na resposta à recessão.

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Se tudo isto é verdade, não é menos importante reconhecer que existe uma nuvem negra a ameaçar esta reanimação do setor em Portugal: a falta de trabalhadores. São reconhecidas, pela generalidade dos operadores, as fortes carências que existem a este nível e a dificuldade em formar equipas duradouras. Isso prejudica, desde logo, a qualidade do serviço prestado nos operadores já implementados, inibe a abertura de novos negócios e pode constituir um travão à chegada de mais turistas a Portugal, com perfil mais exigente e maior poder de compra.

Esta realidade convoca todos à reflexão: autoridades, representantes do setor e operadores turísticos. Se não há pessoas disponíveis, é necessário perceber porquê. Melhorar as condições laborais e salariais será, certamente, uma condição importante a este nível. Mas é certo que não é o único motivo do divórcio entre a oferta e a procura de trabalho. Todos temos de fazer mais e sobretudo melhor, para que esta circunstância não trave a evolução do turismo português e a sua desejável afirmação contínua no contexto global. Muito prosaicamente não podemos matar a galinha dos ovos de ouro e temos de levar a retoma do turismo a sério.

*Empresário e pres. Ass. Comercial do Porto

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