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São João sem moderação

São João sem moderação

Sabe bem ver o Porto retomar a normalidade. Depois do trauma pandémico de 2020 e do desconfinamento envergonhado de 2021, constata-se que a cidade está novamente viva, animada e buliçosa. Pronta a libertar-se de dois anos de má memória e a festejar novamente na rua - desta vez, sem moderação - o seu santo popular.

Este ano, o São João do Porto tem importância acrescida, representando uma ânsia de libertação que se estava a acumular nas populações e demonstrando claramente que não vivemos verdadeiramente em sociedade, quando isolados e remetidos ao nosso espaço físico. Estes momentos de fervor bairrista e pagão também são fundamentais para a cultura das cidades. Desde logo, porque perpetuam costumes e tradições relevantes para reforçar a identidade dos territórios; por outro, e no caso portuense em particular, afastam fantasmas da gentrificação ou de perda de autenticidade. Finalmente, trazem um dinamismo essencial aos centros urbanos, enquanto ativo turístico e património imaterial, cada vez mais valorizado pelos visitantes.

Importa também salientar que a retoma das festividades populares significa a sobrevivência de centenas de famílias e negócios. Gente que viveu de forma especialmente dolorosa a arbitrariedade e as incoerências de muitas das medidas sanitárias decididas em gabinete. Músicos, produtores de espetáculos, vendedores ambulantes, empresários de pirotecnia ou iluminação, entre muitos outros, viram subitamente as suas atividades interrompidas pelo cancelamento - em muitos casos injustificado, reitere-se - das mais diversas atividades recreativas. Pagaram uma fatura pesada pela pressão mediática a que as autoridades estiveram sujeitas e, na grande maioria dos casos, sem direito a qualquer tipo de apoio por parte do Estado para manter rendimentos e postos de trabalho.

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Só vamos perceber dentro de algum tempo o quão penalizador foram estes dois anos, em todos os domínios da atividade social e económica. E o quão desproporcionais e injustas foram algumas das restrições adotadas. Até lá, celebremos o São João nas ruas do Porto e façamos um brinde à liberdade.

*Empresário e pres. Ass. Comercial do Porto

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