Opinião

Sim, temos vantagens comparativas

Sim, temos vantagens comparativas

A posição do presidente da República, sobre as "vantagens comparativas" do nosso país no contexto da guerra na Ucrânia, terá porventura chocado algumas conceções mais puristas da política, mas não deixam de representar uma atitude pragmática perante a situação. E todos os países, todas as sociedades, em todos as civilizações, retiraram vantagens ou prejuízos de momentos semelhantes.

Não restam dúvidas que Portugal tem aqui uma oportunidade estratégica. Tal como têm outros países do Oeste europeu e da bacia mediterrânica, que gozam de suficiente afastamento na zona do conflito para poderem recolher proveitos dessa circunstância. No nosso caso, acresce à geografia favorável, a sociedade aberta e tolerante, a estabilidade política e a qualidade das nossas infraestruturas aeroportuárias.

No entanto, para que as palavras de Marcelo Rebelo de Sousa se repercutam em alguma vantagem material, é necessário ter uma estratégia que não passe apenas por acolher bem os turistas que não desejam passar férias noutras latitudes. Temos de estreitar relações com investidores externos, criar condições para que possam fixar cá negócios e atrair população oriunda dos respetivos países. Importar competência, inovação e conhecimento que potenciem melhorias em vários setores.

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Há passos que estão a ser dados nessa matéria, designadamente nos vistos, nos canais de contratação específicos ou em programas de formação. Por outro lado, situações como a que aconteceu em Setúbal penalizam fortemente a nossa reputação internacional e podem dissuadir novas vagas de imigração de Leste. É necessário haver consistência e previsibilidade nas medidas adotadas.

Ao mesmo tempo, a guerra e também o pós-covid vão trazer reposicionamentos estratégicos na Europa e novos desafios para o futuro. É, por isso, fundamental que o nosso país tome parte no processo de reindustrialização europeia e, ele próprio, diminua o peso excessivo dos setores não produtivos na sua economia. Os tempos são novos, exigentes, mas trazem-nos boas oportunidades.

Empresário e presidente da Associação Comercial do Porto

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