Opinião

Todos ao Coliseu

Já sobreviveu a um terrível incêndio e à tentativa de o tornar espaço de culto de uma seita. Na sua elegância granítica está representada grande parte da identidade portuense. Agora, o Coliseu enfrenta mais um grande desafio: o da requalificação.

Setenta e oito anos constituem uma idade admirável. Os anos de dedicação às artes, ao espectáculo e ao público ajudam a explicar os cuidados de que o edifício do Coliseu do Porto rapidamente carece. Sob pena de, num tempo não muito longínquo, não poder continuar de portas abertas. Não se trata de uma situação de emergência, nem de alarme imediato. Trata-se de um assunto que não pode ser mais esquecido ou adiado.

Como sucede com todas as infraestruturas, o Coliseu precisa de obras. E é para essas obras, dispendiosas mas incontornáveis, que é preciso encontrar solução e financiamento. Até porque o Coliseu enfrenta atualmente uma concorrência por vezes desleal - caso do Hard Club, que ocupa o antigo Mercado Ferreira Borges, deve milhões de euros, ao que é público, e não consegue sequer pagar a renda à Câmara.

Tenho a certeza que a cidade que soube unir-se duas vezes para salvar este ícone (como há dias relembrava, em pleno palco e durante um concerto, Pedro Abrunhosa), vai voltar a dizer presente. Com ou sem apoios do Estado - o Coliseu não é um BES, nem uma PT, nem um Montepio... -, as instituições estarão à altura das responsabilidades. Do mesmo modo que foi possível recuperar o Rivoli, modernizar o Palácio ou começar a intervenção no Batalha, seguramente que a Câmara estará na primeira linha da solução. No que me toca e dentro do espírito de trabalho em rede que caracteriza a Associação Comercial - tal como a promoção da cultura e dos valores do Porto -, estou certo que os meus colegas de Direção concordarão comigo: continuaremos sempre a estar entre os melhores Amigos do Coliseu.

*Empresário e presidente da Associação Comercial do Porto

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