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Opinião

Turismo quase normal

Os números mais recentes da conta satélite do turismo do INE confirmam os bons indicadores que, há algumas semanas, apontei neste espaço de opinião. Em maio deste ano, apesar do número de dormidas ser 0,7% inferior ao período homólogo de 2019, as receitas globais foram superiores e confirmaram a trajetória ascendente que já vinha do mês anterior. O próprio Banco de Portugal estima que o volume de negócios ultrapasse os valores registados na pré-pandemia, já em 2022.

Serão muitos os fatores exógenos que justificam estes resultados, mas na equação têm de entrar, em primeira instância, os operadores turísticos. Foram eles que, num contexto particularmente adverso e exigente, mantiveram a sua atividade, postos de trabalho e, em muitos casos, até promoveram investimentos consideráveis na melhoria dos respetivos negócios.

Por outro lado, isto acontece apesar de situações como os cancelamentos de voos no Aeroporto de Lisboa, que constituem péssimos cartões de visita para quem vem de fora e que podem representar um enorme custo reputacional para o futuro. Não sendo caso único no contexto da aviação comercial internacional, não deixa de provocar uma enorme angústia que isto aconteça num país onde o acolhimento de turistas é uma das principais fontes de receita. Felizmente a norte o Aeroporto Francisco Sá Carneiro tem conseguido dar uma resposta bem mais eficaz e bem menos penalizadora para a atividade económica da região.

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Para que a recuperação do turismo não seja desacelerada, é urgente mitigar a falta de mão de obra que fustiga o setor. As especificidades da atividade turística - rotatividade de horários, sazonalidade, indiferenciação - fazem deste problema uma ameaça séria ao seu desenvolvimento. As perspetivas não são animadoras, com a própria secretária de Estado do Turismo a apontar para uma carência de 50 mil trabalhadores.

Todas as medidas legais serão válidas para reforçar a atratividade e a resiliência laboral, num cluster que, em 2019, representou quase 12% do produto. Seja pela via da formação, do acolhimento de migrantes ou da melhoria salarial, o que importa mesmo é manter o turismo no centro das prioridades. A economia precisa e o país agradece.

*Empresário e Pres. Ass. Comercial do Porto

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