Opinião

Um Estado falhado

Falhado, desnorteado e a precisar de férias, é o estado do país ao fim de ano e meio de pandemia e de alguns mais de falta de rumo e visão. O que nos assusta é que, quando os portugueses voltarem à vida, Portugal não estará melhor.

A greve de uma empresa falida não permite que os aviões de outra companhia insolvente levantem voo durante um fim de semana. Juntas, Groundforce e TAP, obrigaram uns milhares a ficar em terra, estragaram férias a muita gente e deixaram hotéis sem clientes e restaurantes sem faturar. Mais um valente tiro de bazuca em cheio no turismo.

O ministro da Administração Interna, que fez o contrário do que a PSP lhe recomendou, vem com dois meses de atraso acusar o Sporting, que não é força de autoridade, de ser o culpado pelo descontrolo nas comemorações do título de futebol. O mesmo MAI que nada diz sobre a gritante falta de meios da GNR para atuar numa cena de pancadaria com ciganos no sossegado e distante Alentejo. Mais um caso falhado, o do ministro, cujo próprio exercício do cargo se assemelha a um (fraco) folhetim policial.

O custo da gasolina aumenta. O custo do gasóleo aumenta. Os impostos pesam mais de 60 por cento na formação do preço final dos combustíveis. O ministro do Ambiente acha que o problema é a margem de negócio das petrolíferas, essas terríveis entidades cujo trabalho, pasme-se, visa gerar lucros e distribuir dividendos. Em vez de pedir ao seu colega das Finanças que acabe ou pelo menos minimize este assalto fiscal continuado, o ministro tem um acesso de Hugo Chávez: limitem-se as margens de lucro. O passo seguinte, continuando a seguir o modelo da Venezuela, será a nacionalização das gasolineiras. A prova de mais um falhanço do capitalismo, dirá a esquerda do PS.

Ao Governo dos ministros em excesso de velocidade e das bazucas imorais que torpedeiam todo e qualquer vestígio de autoridade, vale a oposição, que não existe, e a altura do ano, que é de férias. Em setembro volta-se à luta. Com menos dinheiro no bolso, mais contas para pagar e alguns problemas novos.

*Empresário e Pres. Ass. Comercial do Porto

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