Opinião

Um país único para uma reabertura única

Um país único para uma reabertura única

É de reabertura que agora se trata. Com dúvidas e opiniões diferentes, mas em consenso generalizado quanto à urgência de voltar ao trabalho.

É imperioso exigir que o país se mantenha unido. Tal como em relação às pessoas, não podemos deixar nenhuma região para trás.

Primeiro ponto prévio. Considero exemplar a solidariedade nacional que se regista desde que a pandemia nos assola. O bom comportamento cívico, a unidade em torno do combate das nossas vidas e o sentido de Estado da maioria dos responsáveis políticos são, ao contrário do que sucedeu em países como Espanha (onde as regiões e os partidos continuaram sempre em conflito), as razões que explicam o menor impacto do coronavírus em Portugal (não se pode falar em sucesso quando morreram cerca de mil pessoas).

Segundo ponto prévio. Portugal tem gravíssimas assimetrias regionais, as quais, por razões óbvias, me abstenho agora de detalhar. Em resumo, há um imenso fosso entre litoral e interior, como há uma escandalosa centralização da despesa, do funcionalismo e do investimento públicos na capital em detrimento do todo. Portugal apresenta algumas das regiões mais pobres da Europa, com destaque para o Norte (no final da lista, com uma "riqueza" ao nível da Roménia).

Perante isto, aguardamos com expectativa o cenário de regresso ao trabalho que o Governo nos irá propor e os incentivos que as entidades na esfera do Estado irão disponibilizar à economia real. Não é admissível, como alguns especialistas admitem, que umas regiões "abram" primeiro que outras. Não o podemos aceitar, porque já sabemos de antemão qual será a região "destinada" a abrir em último. Querem apostar?

Com serenidade, esperamos para ver como e quando retoma o Aeroporto do Porto, como e onde serão aplicados os apoios do Turismo de Portugal, como, quando e onde estarão operacionais os programas da AICEP. Não quero acreditar que os esforços de reabertura conduzidos pelo Governo se concentrem no sítio do costume. Porque isso representaria apenas o agravar das desigualdades que já eram, em situação pré-Covid, uma injustiça e uma vergonha.

Empresário e presidente da Associação Comercial do Porto

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