Opinião

Um vencedor e muitos derrotados

Um vencedor e muitos derrotados

O que parecia improvável aconteceu e António Costa, não só foi reeleito, como viu ser-lhe reforçada a confiança do eleitorado. Alcançou a maioria absoluta em condições que, até hoje, não se tinham colocado a nenhum candidato a primeiro-ministro: após seis anos no cargo e com o desgaste evidente da governação. Superar um contexto tão desfavorável não é trabalho de pouco mérito e faz dele um vencedor em toda a linha.

Houve também uma clara punição aos partidos da extrema-esquerda. O povo castigou o chumbo ao Orçamento do Estado, considerando irresponsável a atitude do Bloco e do PCP em terem somado à crise da pandemia uma crise política. Catarina Martins pediu a um popular que votasse em quem quisesse, menos na Direita, e as pessoas seguiram o seu conselho. Ter-se desenvencilhado da geringonça foi porventura o maior dos triunfos de António Costa.

À Direita, a derrota foi estrepitosa e abre um caminho de reflexão. Rui Rio só percebeu na noite eleitoral que não era ao centro que tinha de ir procurar eleitores. Tarde demais. O líder do PSD não fez outra coisa ao longo de quatro anos de liderança que não fosse libertar o espaço à sua direita, abjurando o legado do seu antecessor e negociando reformas estruturais com o PS. Reclamar que não recebeu o "voto útil" é um exercício extemporâneo, porque o mal já vinha muito de trás. Rio e a sua estratégia foram claramente derrotados nestas eleições e o PSD, depois do sucesso das autárquicas, vê-se numa crise com consequências difíceis de prever.

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O CDS também foi vítima da liderança, mas esta com caráter quase suicidário. Pagou uma fatura demasiado pesada, para um partido com a sua história e os seus quadros. Vai ser difícil renascer das cinzas. Muito à sua custa, o Chega insuflou e pôde cantar vitória, ainda que seja difícil crescer muito mais. Diferente é o fenómeno da Iniciativa Liberal, que tem uma mensagem fresca e uma visão de longo prazo a oferecer ao país, com grande margem de crescimento.

O voto foi pela previsibilidade. A minha expectativa é que ela não traga imobilismo e estagnação.

*Empresário e pres. Ass. Comercial do Porto

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