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Opinião

Uma catástrofe chamada TAP

Uma catástrofe chamada TAP

O tema TAP volta a ser inevitável. Como será inevitável nos próximos meses e anos. Por aquilo que vai custar aos contribuintes, pelo que acrescenta à responsabilidade do Estado e pelo custo político que o Governo vai pagar pela quase nacionalização da empresa.

O que levará comentadores pessoalmente tão próximos de António Costa como Ascenso Simões ou Ricardo Costa a serem tão claros a apontar a solução encontrada para a TAP como o maior erro político do primeiro-ministro? Julgo que o bom senso e a lucidez. E o facto de perceberem, como a generalidade das pessoas atentas, que os milhares de milhões de euros que vão ser derretidos na empresa não terão apenas a cara de Pedro Nuno Santos. As consequências serão dramáticas para os cofres do Estado, serão graves e penosas para os cidadãos e serão incalculáveis para o PS e para Costa.

Temo que o desbaratar de (para já) 1,2 mil milhões na TAP signifique o princípio da história de um novo resgate financeiro português, o regresso da troika e um novo e longo processo de cortes. Ou seja, de sofrimento, de desemprego e de pobreza. Uma história que já conhecemos e pela qual voltaremos a passar, na repetida alternância entre ciclos políticos de "vacas voadoras" e de "milagres" e ciclos políticos de "austeridade" e de "ajustamento".

A providência cautelar que a Associação Comercial do Porto interpôs em tribunal é, creio, o último recurso para evitar o passo para o abismo onde já se encontra um buraco sem fim chamado grupo TAP. Mas a quase nacionalização em curso é realmente quase tão má como uma nacionalização total. Do ponto de vista da despesa pública, aliás, custa exatamente o mesmo.

Resta-nos aguardar que uma decisão da Justiça possa pôr travão à injeção financeira que o Governo quer realizar na companhia. Resta-nos esperar que os alertas da sociedade civil sejam considerados e que sejamos poupados a um novo BES, a um novo Banif, a um novo BPN, a um novo Novo Banco. Em suma, a mais um desperdício de recursos. Recursos que, recordo, não temos.

Empresário e presidente da Associação Comercial do Porto

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