Opinião

Perdoai-lhes, Senhor

O cartaz do Bloco de Esquerda, usando a imagem de Jesus Cristo nos termos em que o fez, ofendeu a fé de milhões de cristãos. Pela analogia tentada é vulgar, degradante, enxovalha e agride. Mas vindo de onde vem, não surpreende. Não se estranharia que a ideia alucinada tivesse germinado entre workshops sobre brinquedos sexuais, drogas leves e técnicas de autocultivo, num qualquer acampamento "Liberdade" do partido, pensada ao som de Gabriel o Pensador (cachimbo da paz):

Apaga a fumaça do revólver, da pistola

Manda a fumaça do cachimbo pra cachola

Acende, puxa, prende, passa

Índio quer cachimbo, índio quer fazer fumaça.

A alienação criativa, desprovida de ética, tem quase sempre uma justificação prosaica.

Nas legislativas de 2015, o Bloco de Esquerda obteve mais de 550 mil votos, nos quais se contarão, certamente, muitos cristãos que não encontraram qualquer inconveniente na sua opção eleitoral. Perceberão agora a verdadeira natureza de um partido que, para além da questão religiosa, despreza um referencial de valores comuns à maioria das pessoas, para proclamar que tudo se pode, tudo vale, tudo tem de ser permitido.

O Bloco de Esquerda representa hoje, paradoxalmente, um fenómeno de opressão pelas minorias. Já não se limita à defesa de nichos, de que legitimamente quer ser voz. Sente-se compelido a castigar a enorme maioria que não pensa igual. Ser ateu não basta. Há que ser hostil em relação a quem vive no que interpretam como uma espécie de obscurantismo da Fé. Foi protesto e espalhafato de inspiração circense. Mas com a venda cara do apoio ao Governo do PS, ascendeu à eficácia legislativa, transformando o que era fraturante, porque de menos, em regra passível de aprovação em S. Bento, impondo-se a todos.

A propósito, psssst... D. Januário Torgal Ferreira, diga por favor qualquer coisinha. Deixe sair o bispo, de resto Ilustre, que bem sabemos também há em si. Todos lhe conhecemos o gosto pelo comentário das minudências políticas da terra, mesmo que com bondade infinita para o lado mais canhoto, que promove, do firmamento partidário. Mariana Mortágua e Catarina Martins são "gente que estuda e vê com humildade e intelectualidade os seus projetos", queria um outro tipo de presidente da República - "O Prof. Cavaco Silva foi votado pela Direita" - Pedro Passos Coelho e Paulo Portas eram um "banho de ilusão e mistificação", estaríamos "perdidos se a coligação PSD/CDS" se mantivesse "à frente do país" e o voto foi para António Costa.

Uma palavra para variar, na defesa da essência da própria Igreja, talvez viesse a propósito.

DEPUTADO EUROPEU

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