Opinião

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Esta semana, ficou a saber-se que um grupo de deputados do PS, que tencionava deslocar-se de comboio entre as Caldas da Rainha e Lisboa, numa espécie de protesto pela falta de respostas da CP, ficou apeado, porque a ligação de comboio pretendida tinha sido suprimida. Teria sido bem mais produtivo que em vez do simulacro ridículo, a comitiva se tivesse deslocado diretamente de S. Bento, ao Terreiro do Paço, para exigir de António Costa as responsabilidades que só o Governo tem.

Governar, perdendo eleições, ao mesmo tempo que se cria uma ilusão de devolução de rendimentos, a pensar nas próximas, tem custos altos. O PS paga há 3 anos a agenda ideológica de uma extrema-esquerda que nunca fez contas, revertendo decisões antes pensadas com critérios de gestão. Simultaneamente, António Costa tenta conquistar os votos que faltaram em 2015, distribuindo por pessoas dinheiro que não existe, enquanto cria a ilusão de que Portugal está muito melhor. Como resultado, o Estado mostra-se crescentemente incapaz de exercer minimamente as suas competências e, quando tudo começa a falhar, o melhor que a Esquerda consegue é imaginar iniciativas exóticas de protesto contra si própria.

O Governo não devolveu rendimentos às famílias. Desviou recursos escassos, mas essenciais, do SNS, dos transportes, da escola pública, da segurança e da Protecção Civil, para comprar votos. Ao mesmo tempo, porque se nota menos, aumentou quase todos os impostos indiretos, penalizando indistintamente ricos e pobres, sem nunca ter compensado verdadeiramente o buraco orçamental que criou. Deu a alguns com uma mão, enquanto tirou a todos com a outra; mas não falta quem aplauda. Portugal, é sabido, atingiu a carga fiscal mais elevada dos últimos 25 anos.

Perceba-se o que está à vista. Os transporte públicos suprimidos, ao mesmo tempo que os preços dos combustíveis aumentam, piorando todas as alternativas; o primeiro Alfa Pendular Lisboa/Porto cancelado a partir de agosto, as avarias permanentes do material circulante, velho e ultrapassado nas linhas do Douro, Vouga, Sintra ou Alentejo; o orçamento mais baixo no SNS dos últimos 15 anos, apesar das cirurgias canceladas, das unidades fechadas, dos doentes acamados em macas nos corredores hospitalares, da roupa que falta e da insuficiência de médicos e enfermeiros; os alunos sem condições em escolas sobrelotadas, punidos por fotografarem as fracas refeições das cantinas; as armas furtadas dos quartéis e a desmotivação das forças de segurança; os incêndios e as consequências em 2017.

Veja-se para lá da propaganda. Está tudo aí.

*DEPUTADO EUROPEU

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