Opinião

TAP - Take another plane

TAP - Take another plane

A reversão da privatização da TAP consumou uma das birras mais caras deste Governo movido a caprichos, sendo que contas feitas, o negócio se pode resumir assim: Também sou dono, mas não mando nada e pago (muito) por isso. Com apenas 50% do capital, sem maioria no Conselho de Administração e impossibilitado de impor qualquer decisão estratégica, o Estado aceitou chamar a si os prejuízos, os encargos e os riscos. Pelo caminho terá uns tantos lugares para distribuir. Mas servirão de pouco e principalmente custarão caríssimo.

As negociações aconteceram no exato momento em que a TAP quis fazer de Lisboa um belo país, circundado por belas paisagens. Os socialistas capitularam nas exigências societárias. Mas pior, baquearam na dimensão de princípio.

Foram muitos os discursos talhados em cima da rejeição do centralismo e a favor da correção de assimetrias endémicas. Fizeram-se juras em cima das urnas, sobre o esforço em mandatos que fariam toda a diferença. Facto é que, pelo silêncio, no que a este Governo respeita, a coesão nacional morreu.

Com o Estado como acionista absoluto, a TAP significou aviões razoavelmente novos no Sul, disponíveis para os passageiros saídos do aeroporto da Portela e a Portugália no Norte, que é como quem diz, excelentes pilotos e comissários de bordo mal pagos, tripulando aviões velhíssimos, dignos de museu, para quem optasse pelo aeroporto Francisco Sá Carneiro.

Com o Estado a 50 % na TAP, anunciam-se, paradoxalmente, novos aviões no Norte, mas o fim de voos essenciais ao desenvolvimento da região e ao país, considerado o retorno gerado.

A Região Norte, composta por 86 municípios e 1426 freguesias, significa cerca de 35 % da população nacional - perto de 3,6 milhões de habitantes - e mais de 3 milhões de eleitores. Ao Norte se devem 40 % das exportações, a criação de riqueza correspondente a 30 % do PIB e muitos impostos redistribuídos em favor de todas as regiões. É no Norte que se concentram o maior número de empresas. Não por acaso, em 2015 nasceram 6991 empresas no Porto e 3076 em Braga, distritos onde, a par de Aveiro, se identificam mais de 64 % das PME Excelência. É também no Norte que desde 2008 o turismo mais vem crescendo. O Porto foi considerado o melhor destino europeu e em oito anos o aeroporto Francisco Sá Carneiro foi premiado oito vezes. Mas foi no Norte que a TAP desinvestiu.

No passado, por graça, desdobrava-se a sigla TAP, em "take another plane". No presente e no Norte, a TAP transformou a graça numa inevitabilidade. Calando, o Governo diz tudo.

Resta perguntar, 50 % da TAP para quê?

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