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Lá vamos nós outra vez

Lá vamos nós outra vez

Terminou o longo silêncio. Finalmente. O PS apresentou medidas e António Costa garantiu que "vai mostrar que é possível acabar com a austeridade".

Valha-nos isso. Pelo menos, depois de tanto tempo e governos passados a mostrar a facilidade com que se arruína um país, para sacrifício de todos.

Por três vezes, no atual regime democrático, Portugal foi forçado a recorrer à ajuda externa. Aconteceu sempre pela mão dos socialistas. Em 1977 e 1983, com Mário Soares a primeiro-ministro, e em 2011, com José Sócrates à frente dos destinos do país.

Ouvido António Costa, será de temer que não fiquemos por aqui.

Basicamente, as propostas anunciadas repetem uma fórmula experimentada há anos, numa recidiva de cada ciclo eleitoral. Há que prometer tudo, a todos, dizer sempre o que agrade ao ouvido, porque o que interessa são votos.

O PS antecipa o milagre da multiplicação. Fazer contas - essa maçada - não importa nada. E um impacto negativo de 3000 milhões de euros, 1,8 % do PIB, só em 2016, são patacos.

O Largo do Rato decidiu ser possível baixar impostos, aumentar salários, subir pensões, apostar no investimento e setor público e, ao mesmo tempo, ter dinheiro para pagar isso e mais, começando pela dívida que deixaram.

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Lavoisier ensinava que "na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma". Costa demonstra que na política, com os socialistas, tudo se repete.

Entre 2005 e 2011, também era assim. Não importavam os avisos. Parcerias público-privadas, scut, autoestradas sem sentido separadas por meia dúzia de quilómetros, túneis, novas pontes, aeroportos, TGV, estudos pagos aos milhões, sempre com um Keynes de costas largas a justificar todos os excessos, para poupar no adjetivo.

Depois, foi como se sabe. Um choque de frente com a realidade do défice, dívida, recessão, incapacidade de financiamento e da troika.

A austeridade, claro, apesar de condição necessária do memorando de entendimento que o PS negociou, a começar, passou a culpa dos outros.

E sem sequer uma revisão crítica sobre o que correu mal, agora que o país voltou aos mercados, recuperando a credibilidade, já se acham merecedores de regressar ao poder, para repetir tudo outra vez.

Só se surpreenderá quem queira. Facto é que o PS de 2015 é o PS de 2011, que foi o PS de 2005. As caras estão todas lá, num friso com rostos que só se alterou, nuns tantos cabelos brancos.

Ao que parece, ainda convencem uns tantos. Resta saber se Portugal teria condições para passar por tudo outra vez.

DEPUTADO EUROPEU

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