Opinião

Menos lágrimas e mais fazer coisas

Menos lágrimas e mais fazer coisas

Quando na Europa os atentados terroristas se sucedem, praticados muitas vezes por quem acolhemos, cá vive e trabalha, quem se atreva a sugerir melhores regras que filtrem os fluxos migratórios terá garantido em alguma Esquerda o insulto gratuito, tratado como xenófobo, racista e nacionalista.

Entre outros argumentos, virá o disparate fácil e simplista de que a Europa está velha, fazem-se por cá poucos filhos, estamos condenados a prazo a uma espécie de demografia grisalha e, por isso, todos são indistintamente bem-vindos. Depois, fixados na fantasia idílica que lhes marca o discurso, recusarão aceitar que entre esta conversa do "venham todos" e o contraponto absurdo das portas fechadas, que também haveria quem gostasse de ter, há um meio-termo de bom senso e lucidez básica, que seria suposto assegurar a regra de maior consenso. O ponto é: realmente, a Europa não precisa de qualquer pessoa. Só faz cá falta quem esteja disposto a integrar-se, a cumprir as nossas leis, a respeitar os nossos modos de vida, a não atentar contra a nossa existência, a garantir que não nos sentiremos sequestrados e com medo dentro da nossa própria casa. Para estes, tudo. Aos outros, simplesmente nada.

Os apologistas do fim da Europa fortaleza, convenhamos, não são só líricos. São também perigosos. E infelizmente são muitos.

Esta semana em Espanha, numa homilia justificada pelos atentados em Barcelona e Cambrils e pela chacina de 15 pessoas inocentes, um padre católico de Madrid, Santiago Martín, decidiu ultrapassar as considerações previsíveis de natureza religiosa. Expressando a revolta de muitos, apontou o dedo à presidente da Câmara da cidade catalã, Ada Colau, eleita na plataforma radical que integra o Podemos. Saudou as manifestações públicas de repulsa e também as orações. Mas reforçou que rezar não basta e há que fazer algo mais. A propósito, recordou que na sequência do atentado que um ano antes, com recurso a um camião, também provocara dezenas de mortos na cidade francesa de Nice, o Governo espanhol recomendara que se colocassem obstáculos nos pontos de acesso aos locais das cidades que registassem grandes concentrações de pessoas. Sob pretexto de que coartava a liberdade, este mecanismo de segurança foi recusado para as Ramblas, por Ada Colau. Por isso, o padre Santiago Martín, concluiu assim:

"Coarta a liberdade, é verdade; a liberdade dos assassinos. Portanto, uma parte da culpa (...) é da presidente da Câmara de Barcelona. Menos lágrimas e mais fazer coisas".

* DEPUTADO EUROPEU

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