Opinião

O logro

O BE meteu na rede, alguns jornalistas desatentos ou com partido prestaram-se ao frete e, nas redes sociais, a turba que só lê títulos, ou a mando, papagueou o logro.

No JN, o triste papel coube ao Miguel Guedes, em artigo de opinião. Objetivo? Canonizar sem mérito a Marisa Matias e crucificar adversários, manipulando a opinião pública com a mentira e à custa da morte de pessoas. Procedimento mais miserável em política seria difícil de conceber.

Escreveram que a resolução que salvaria pessoas no mar tinha sido chumbada por dois votos apenas, no Parlamento Europeu, culpa de dois eurodeputados, um deles do CDS, e por isso migrantes e refugiados seriam abandonados à sorte. Tudo falso, mas propalado como verdade entre quem pensa pouco e comentadores de circunstância.

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Investigassem, saberiam a verdade:

Não houve uma, mas sim quatro resoluções votadas - PPE, ECR, ID e LIBE, subscrita pelo socialista Lopez Aguilar - com o objetivo de salvar pessoas no Mediterrâneo. O PPE quis uma resolução conjunta que também contivesse a sua visão. Aguilar recusou.

Todos os eurodeputados votaram a favor de uma das resoluções e abstiveram-se ou votaram contra as outras. Logo, todos quiseram salvar pessoas e, sim, a Marisa Matias escondeu que votou contra três resoluções que também o pretendiam.

Votei contra a resolução do socialista Lopez Aguilar, por conter uma agenda com que a maioria não concorda. Um disparate de "fronteiras abertas" que não existem em mais nenhuma parte do Mundo, ONG dirigidas por ativistas de Esquerda quase equiparadas a Estados, a recusa da colaboração com países terceiros para combater o fenómeno e a falta de medidas para contrariar o modelo criminoso de tráfico de pessoas.

Mais de metade do Parlamento votou contra a resolução de Lopez Aguilar. Só um louco achará que a maioria dos eurodeputados deseja a morte de pessoas.

Houve muitos socialistas e uma comunista que também votaram contra esta resolução. Houve até um bloquista que não votou. Mas a Marisa Matias só sentiu um "arrepio na pele" com os votos da Direita.

Dizer-se que pelo resultado de qualquer resolução morrerão pessoas no Mediterrâneo é de uma ignorância absoluta, ou atroz má-fé. Uma resolução é um mero texto, uma recomendação. Não é lei, não é uma diretiva, não vincula Estados. Mesmo se aprovada por unanimidade, ficaria tudo na mesma.

Aliás, já há uma resolução aprovada por grande maioria. Foi em 2016 e era conjunta, de socialistas e do PPE. Facto significativo, neste ano, a Marisa Matias votou contra. Alguém leu títulos condenatórios ou viu cartoons a propósito? Não, claro. Tudo sinais de uma democracia bem doente.

Deputado europeu

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