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Opinião

Porque somos gratos

Um país que esquece os seus heróis não honra a sua História. 43 anos depois, não é normal que significando o dia 25 de Novembro de 1975 a vitória da democracia, sobre a tentativa de totalitarismo da extrema-esquerda, apenas o CDS celebre institucionalmente o momento em que alguns militares e a maioria dos portugueses estiveram do lado certo dos tempos e da decência.

O apagamento da memória percebe-se no PCP e no BE, nascido da UDP e da LCI/PSR, nos saudosos do MRPP, da FEC, do MDP/CDE, da LUAR e outros resquícios do PREC - Processo Revolucionário em Curso, que até quase ao final de 1975 tomaram de assalto as Forças Armadas, atacaram a igreja católica, ocuparam jornais, rádios e a RTP, sanearam jornalistas e empresários, nacionalizaram empresas, fizeram a reforma agrária e se apropriaram selvaticamente e pela força de quintas e herdades produtivas, que gerindo com ideologia marxista-leninista, maoista ou trotskista, em vez de trabalho, destruíram uma após outra.

O que não se compreende é a distância forçada e a vergonha tardia assumida por quem politicamente foi protagonista do 25 de Novembro, PS a começar, mas que agora, para deter o poder que perdeu nas urnas, dá a mão a esse PREC e se recusa a comemorar a democracia que só se concretizou precisamente naquele dia.

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Não falta quem argumente na extrema-esquerda, com lutas travadas durante o Estado Novo para que houvesse democracia em Portugal. Não é verdade. Lutaram, é certo, mas para que Portugal se transformasse num regime comunista que só não vingou porque outros combateram e alguns morreram pela liberdade.

Entrevistado em junho de 1975 por Oriana Fallaci, o histórico dirigente comunista Álvaro Cunhal tão pouco escondia o que queria: "Em Portugal não haverá jamais a possibilidade de uma democracia como as que existem na Europa ocidental". "Nós, os comunistas, não aceitamos o jogo das eleições (...). Se pensa que o Partido Socialista com os seus 40 por cento de votos, o PPD, com os seus 27 por cento, constituem a maioria, comete um erro. Eles não têm a maioria". "Asseguro-lhe que em Portugal não haverá Parlamento (...)". "É um facto indiscutível que Portugal atualmente se dirige para o comunismo".

Renunciando ao 25 de Novembro de 1975, alguns partidos políticos silenciam inexplicavelmente o legado de militares como António Ramalho Eanes, Pires Veloso, Jaime Neves e os Comandos da Amadora. Também o papel de alguns dos seus maiores, casos de Mário Soares, Jorge Campinos, Mário Sottomayor Cardia e Francisco Sá Carneiro.

No CDS, felizmente, temos memória. Principalmente, somos gratos.

*DEPUTADO EUROPEU

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