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Privados em tempo de proletários

Privados em tempo de proletários

O Governo detesta os privados. Percebe-se; o PCP e o BE mandam, mas no atual diretório do PS também não falta quem tenha crescido em escolas bem mais radicais, que persistem. O PS foi a forma pragmática de ascender até onde não conseguiriam, militando no MES, MDP-CDE, MRPP ou no PCP. Isso nota-se em cada decisão. Transportes, educação e saúde são alvos diletos da estilização e da proletarização em curso.

A sanha é refinada. Não há greve da CGTP, controlada pelo PCP, que não seja tolerada nas palavras e nas cedências das negociações. O Governo precisa do PCP. Para os outros, resta o insulto. Chamar "criminosos" e "infratores" a enfermeiros em greve, num direito que o Governo diz assistir a todos, não revela apenas uma ministra da Saúde que não tem noção da função, nem respeita quem tutela. Deixa perceber o primeiro-ministro tal qual é, por interposta pessoa.

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É mais do que evidente que em Portugal, o primeiro e o mais lesivo grevista no setor da Saúde é o Estado, que nega aos hospitais muito do que é necessário para salvar vidas. Faltam médicos e enfermeiros, os doentes são forçados a levar lençóis de casa, são acamados de forma indigna em corredores, desesperam pelo atraso nas operações cirúrgicas, aumentam as listas de espera, acumulam-se dívidas a fornecedores, faltam medicamentos e equipamento. Por causa disso, demitem-se em bloco diretores de serviço de hospitais em todo o país, casos de Gaia, Guarda, S. João, no Porto, Tondela/Viseu, Faro e Amadora Sintra. Mas "criminosos" e "infratores" são os outros, que se limitam a dizer que o SNS se gere com recursos, e não com ideologia.

O que está a acontecer no Hospital de Braga é mais um atentado ao interesse dos utentes. Este hospital, com gestão privada, serve 1 milhão de pessoas e em algumas especialidades 1,2 milhões. Pelo segundo ano consecutivo foi considerado o melhor hospital do país em oito áreas clínicas. É o único com três estrelas em cardiologia. Poupa milhões de euros ao Estado e ao mesmo tempo apresenta notável produtividade. Apesar disso, a ministra da Saúde, que diz querer privilegiar a gestão pública no SNS, antecipa a renacionalização da respetiva gestão.

Que o Estado queira gerir os hospitais do Estado, menos mal. Mas que queira transformar um hospital exemplar na triste imagem de tantos outros que desesperam e só sobrevivem pela dádiva diária de profissionais de saúde extraordinários, entre os quais médicos, que o Governo quer que troquem o juramento de Hipócrates pelo juramento às cativações do ministro Mário Centeno, isso sim, é realmente criminoso...

*Eurodeputado

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