Opinião

Surrealismo orçamental

Surrealismo orçamental

No exercício de surrealismo em que se transformou a discussão parlamentar do Orçamento do Estado para 2016 (OE), houve ao menos um momento em que António Costa declarou uma evidência. Reconheceu que "o CDS tem uma atitude responsável e patriótica". Tem toda a razão. Exatamente por isso, o CDS votou contra a proposta socialista.

Atitude diferente tiveram os partidos à esquerda do PS, que mais do que negar a realidade foram forçados a negar a essência de si mesmos. Perceberão a prazo que perante os respetivos eleitorados, perderam também qualquer utilidade.

Pela primeira vez em 41 anos, o PCP votou favoravelmente um OE. Curiosamente, aprovou um dos textos que mais austeridade consagrou desde que há democracia em Portugal. Significa que na batalha com o BE, pelo predomínio eleitoral à extrema-esquerda, o PCP aceitou sacrificar os "interesses dos trabalhadores" na perspetiva com que Jerónimo de Sousa, dirigentes, deputados e Arménio Carlos (braço sindical) enchem a boca todos os dias.

PS, PCP e BE poderão agora assobiar para o ar. Mas o que é facto é que o OE:

- Aumentou o preço dos combustíveis, onerando todos sem exceção, nisso prejudicando mais, quem menos tem;

- Aumentou o imposto sobre os veículos;

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- Aumentou o imposto do tabaco;

- Aumentou o imposto de selo;

- Prevê o aumento das contribuições sociais; e

- Manteve várias medidas de austeridade antes determinadas pela troika.

Aumenta também, é certo, prestações sociais e despesas com pessoal, em sinal de aparente sensibilidade. Mas quem as pagará? O Estado, dirá a Esquerda, num eufemismo que significa "os contribuintes", recurso que na gestão do dinheiro alheio os socialismos têm sempre por ilimitado.

Facto extraordinário, tratando-se disto tudo, o BE argumentou mesmo assim em plenário que o OE "traz oxigénio à economia". Certamente que de cada vez que um empresário pagar a fatura da energia, ou um estudante, pensionista, desempregado ou trabalhador tiverem de abastecer o depósito de veículos, ou pagar o bilhete de transportes de que dependam para se deslocarem, se recordarão disso.

O PCP e o BE, que vivem estritamente do protesto, esforçam-se por descobrir como será possível transformar proclamações irresponsáveis em decisões de governo que escapam à racionalidade, sem assumirem qualquer responsabilidade pelas consequências. Não conseguirão.

Quando a tempestade chegar - e chegará - argumentarão que a culpa foi da Europa, do BCE, da Comissão, da Direita, do Sol e da Lua. Mas cá estaremos para lhes recordar quem lhe deu causa. O PS, o PCP e o BE.

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