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Paula Ferreira

A tragédia do interior

Um ano depois, o que mudou? Seria injusto responder: pouco ou nada mudou. Um ano volvido sobre a tragédia que sobressaltou o país, fez imensas vítimas mortais e destruiu milhares de hectares de floresta, muito mudou. Nunca a prevenção da época de fogos, talvez, tenha sido feita com tanto cuidado. Há muito se não via, pelo menos no discurso, a floresta a ser tão valorizada. Alterou-se a maneira de olhar o território, o interior e seus dramas silenciosos, e existe consenso - é preciso mudar práticas, tornar a palavra ato, sob pena de se repetir o impensável.

Paula Ferreira

Uma estranha paixão

Foi preciso um grupo de bárbaros agredir os jogadores do Sporting, no interior da Academia de Alcochete, para centrar a atenção na pobreza do mundo da bola em Portugal. Não bastava o discurso de ódio que os representantes dos clubes destilam no espaço público; não chegava a perceção de que o futebol, enfim, não é bem o que se passa dentro das quatro linhas. Não chegava vislumbrar o perigo que muitos jogos constituem para quem ainda acredita poder assistir, em família, a uma festa do desporto.

Paula Ferreira

O guardião de Vale Florido

Silvério vive em Vale Florido. Podia ser o início de um conto de fadas. Não é. O pretexto para chamarmos este homem nada tem de fábula, mas daria a abertura de uma bonita história. Silvério vive em Vale Florido e é ele o zelador da aldeia se o fogo voltar. Está contente e confiante com a missão que lhe confiaram. Vai ser fácil, acredita. "Só vou ter de tocar o sino a rebate e chamar as pessoas para a capela". Silvério Teixeira, 61 anos, polícia reformado, foi o escolhido para guardião dos seus vizinhos, no âmbito do projeto Aldeia Segura, ontem apresentado no concelho de Ansião, um dos fustigados pelos incêndios do ano passado.

Paula Ferreira

A narrativa dos números

Acreditamos que eles são os melhores, os mais bem preparados, terminaram a formação universitária com resultados excelentes, os mesmos que lhes abriram portas à investigação científica. A carreira que todos os nossos governos, uns mais que outros, é certo, abraçam como sendo o futuro do país. E não estarão errados. Não passa disso, todavia. Discurso, apenas. Depois basta ouvir os que fazem ciência e fica-se a pensar: devem ser loucos. Como é que estes jovens entram para um barco sem rumo?