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Paula Ferreira

Somos todos precários

O direito à greve está consagrado na lei laboral. Fazer greve é, cada vez mais, um ato de coragem. Como o prova, sem qualquer subterfúgio, o mail enviado pela Ryanair aos funcionários que paralisaram nos últimos dias 25 e 26 de julho. Além de perderem os prémios de produtividade relativos a esse mês, a empresa deixa claro que eventuais promoções na carreira desses trabalhadores estão postas de parte. Essas benesses não são, obviamente, para quem se atreve a fazer greve.

Paula Ferreira

Jangada de pedra

Parece irreal, no entanto aconteceu. Foi há poucos dias. Vários deputados, de diferentes partidos, e alguns autarcas preparavam-se para fazer uma viagem de comboio entre as Caldas da Rainha e Lisboa. Porém, para não ficar em terra, tiveram de viajar de automóvel até à capital. Uma cena anedótica, de filme com Vasco Santana. Aconteceu há dias, no país da moda. Os deputados regressaram de carro porque a CP suprimiu o comboio. Tinham alternativa. E os outros, os utentes da Linha do Oeste, se é que algum ainda resiste, de que alternativa dispunham? Nenhuma, provavelmente.

Paula Ferreira

A História não se repete?

A crise migratória em curso é apenas a ponta do icebergue do que se está a passar na Europa. É a face visível de algo a emergir (ou a renascer), que a maioria de nós acreditava nunca defrontar. A recusa em prestar apoio humanitário a homens, mulheres e crianças, fugidos da guerra, fugidos da fome, à procura de uma vida digna, devia fazer corar de vergonha as velhas e novas democracias europeias. Além disso, a recusa de acolhimento contradiz a necessidade de rejuvenescimento de uma Europa envelhecida, sem vontade de contribuir para o aumento da natalidade.

Paula Ferreira

A tragédia do interior

Um ano depois, o que mudou? Seria injusto responder: pouco ou nada mudou. Um ano volvido sobre a tragédia que sobressaltou o país, fez imensas vítimas mortais e destruiu milhares de hectares de floresta, muito mudou. Nunca a prevenção da época de fogos, talvez, tenha sido feita com tanto cuidado. Há muito se não via, pelo menos no discurso, a floresta a ser tão valorizada. Alterou-se a maneira de olhar o território, o interior e seus dramas silenciosos, e existe consenso - é preciso mudar práticas, tornar a palavra ato, sob pena de se repetir o impensável.

Paula Ferreira

Uma estranha paixão

Foi preciso um grupo de bárbaros agredir os jogadores do Sporting, no interior da Academia de Alcochete, para centrar a atenção na pobreza do mundo da bola em Portugal. Não bastava o discurso de ódio que os representantes dos clubes destilam no espaço público; não chegava a perceção de que o futebol, enfim, não é bem o que se passa dentro das quatro linhas. Não chegava vislumbrar o perigo que muitos jogos constituem para quem ainda acredita poder assistir, em família, a uma festa do desporto.