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Paula Ferreira

Vida de professor

Os professores saem à rua, só nos resta expressar a nossa solidariedade. Uma das profissões mais determinantes para o futuro do país, ano após ano, tem sido desvalorizada. De quem é a culpa? Não haverá, como é natural, um único culpado, um único fator. Múltiplas razões conduziram à situação a que chegamos. A consequência é dramática. A profissão deixou de interessar aos que atualmente estudam e se preparam para entrar no mercado de trabalho. Não é novidade, vários trabalhos foram feitos: os jovens não se mostram atraídos pelo ensino. Imaginar como futuro de vida um transitório posto de trabalho a centenas de quilómetros de casa e da família, gastar parte do magro ordenado na despesa do alojamento, desconhecer o dia da efetivação numa escola (e poder, enfim, ter estabilidade), não se afigura, como é fácil de compreender, um projeto de vida aliciante. O problema apresenta-se demasiado grave, por essa razão, deve ser tratado com seriedade. Dados divulgados pelo Conselho Nacional da Educação dizem-nos: "uma percentagem ligeiramente superior a 15 por cento dos docentes, da educação pré-escolar e dos ensinos Básico e Secundário, tinha 60 e mais anos de idade" em 2020. Não se manterão ativos, como é evidente, durante muito mais tempo. Mas se recuarmos um pouco, o cenário surge ainda menos animador. Ainda de acordo com dados da CNE, temos "uma percentagem superior a 50 por cento de docentes com 50 e mais anos de idade. Professores com menos de 30 anos não ultrapassam os 1,6 por cento".

Paula Ferreira

A elite e a democracia

Lula da Silva tomou posse, outra vez, como presidente do Brasil. Ontem, prometeu devolver a democracia e a dignidade ao povo brasileiro. Antes, o operário metalúrgico chegara ao Palácio do Planalto para dar corpo a uma quase utopia. Desapontou, é certo, muitos no Brasil e pelo Mundo que acreditaram ser possível uma nova realidade social e política. Mas os escândalos em que o Partido dos Trabalhadores se envolveu, é preciso dizê-lo, levariam a esse desfecho.

Paula Ferreira

Comprar a democracia

É um primeiro passo efetivo para mostrar à Hungria que não pode ser membro da União Europeia e, em simultâneo, prosseguir com a sua deriva autocrática. Se não arrepiar caminho, os 7,5 mil milhões de euros em fundos comunitários, no âmbito da política de coesão, jamais chegarão a Budapeste. Soaram as campainhas: o Governo de ultradireita mostra-se disponível para acatar as reformas exigidas por Bruxelas. Em causa estão práticas de corrupção, por falta de concursos públicos, na atribuição de verbas comunitárias.

Paula Ferreira

O legado de Chalana

Parece ironia. No dia da morte de Chalana, chegam notícias de desacatos em Guimarães provocados por adeptos do Hajduk de Split, da Croácia. Deixaram um rasto de destruição e medo no Centro Histórico da cidade minhota. Como tão bem o ministro da Cultura ontem explicitou, na reação ao desaparecimento do camisola 10 do Sport Lisboa e Benfica, com Chalana desaparece um futebol que nada tem a ver com o vivido hoje em dia, praticado mais fora de campo do que dentro das quatro linhas.

Paula Ferreira

Os donos dos filhos

Até onde poderá ir o braço de ferro dos pais de dois alunos de Vila Nova de Famalicão com o Ministério da Educação? Parece de elementar bom senso que os dois jovens, alunos de excelência, não poderão transitar de ano sem terem todo o plano curricular completo. Por decisão familiar, não compareceram a qualquer aula de Cidadania e Desenvolvimento. Assim, chumbaram por faltas, porque a disciplina é obrigatória - decisão da escola, entretanto legitimada pelo Tribunal Administrativo de Braga, num caso que se arrasta desde 2018.

Paula Ferreira

Negócios na Saúde

A lua de mel dos portugueses com o Serviço Nacional de Saúde parece estar a chegar ao fim, caminhando a passos largos para o divórcio. Finda a pandemia, que transformou os profissionais de saúde em heróis, as urgências fecham por falta de médicos especialistas, o que inviabiliza as escalas necessárias. O défice de médicos sente-se maioritariamente aos fins de semana e feriados, aparentemente, por estes não se mostrarem disponíveis a trabalhar a troco de baixa remuneração.