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A ansiedade do futuro

Mais de 49 mil jovens conseguiram um lugar no Ensino Superior, mas muitos viram frustrada a expectativa de entrar na universidade. Estes têm ainda uma oportunidade de garantir o lugar na segunda fase, onde existem quase 14 mil vagas disponíveis. Se alguns não terão tido grande dissabor, por saberem que o patamar atingido não lhes dava asas para voar, outros terão sofrido a frustração das suas vidas.

Chegar ao final do Ensino Secundário com uma média de 19 valores e, mesmo assim, ficar arredado do curso que sempre se sonhou, devia fazer soar os alarmes junto de quem define as políticas de Educação.

A cada ano, por esta altura, fala-se da necessidade de alterar a forma de acesso ao Ensino Superior. A cada ano, reconhece-se que muitos concorrem a cursos com médias muito elevadas, não por vocação, apenas porque são empurrados a irem em busca de sucesso que todos parecem esperar deles.

Um caminho difícil para qualquer jovem, a viver o final da adolescência. Um estudo feito em 21 países, recentemente tornado público pela Unicef, revela que uma média de um em cada cinco jovens inquiridos, com idades compreendidas entre os 15 e os 24 anos, diz sentir-se frequentemente deprimido ou com pouco interesse em fazer as coisas. Muitos vivem em permanente estado de ansiedade, como revela um outro estudo feito à escala global, com uma amostra de mais de 80 mil indivíduos: mais uma vez, um em cada cinco sofre de ansiedade.

Quando acabei o Secundário e ingressei num curso superior, não senti pressão, por parte dos que me eram mais próximos, para fazer qualquer tipo de escolha. Vivíamos com o conforto de saber que devíamos seguir o caminho escolhido por nós, seguir aquilo em que seríamos mais capazes, em suma, que nos fizesse felizes. O Mundo mudou. Muito. E a vida em muitos aspetos tornou-se bem mais difícil.

Editora-executiva-adjunta

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