Opinião

A história do banco mau não tem fim

A história do banco mau não tem fim

O presidente da República ficou estupefacto com a revelação de o Novo Banco precisar de mais dinheiro do que o inicialmente previsto. Ficou Marcelo e, com certeza, muitos outros portugueses. A notícia chegou via rádio, no início da tarde de domingo. Em entrevista à Antena 1, António Ramalho anunciou com grande naturalidade: ao banco não bastaria a verba acordada no contrato de venda. Uma declaração feita no dia anterior à tomada de posse de João Leão, o novo ministro das Finanças, que substitui Mário Centeno - de saída por razões não tornadas públicas, mas que a questão do Novo Banco tornou pelo menos desconfortável a sua continuidade.

O Novo Banco pediu cerca de 3 mil milhões ao Fundo de Resolução de um total de 3,89 mil milhões. Este ano fechou o primeiro trimestre com prejuízos de 180 milhões. A pandemia terá agravado as contas. As más notícias, no entanto, não devem ter acabado por aqui: todos os sinais apontam para que a verba acordada com o Fundo de Resolução, mesmo depois de rapado o tacho, fique aquém das necessidades.

Mário Centeno disse preto no branco o que qualquer português tinha já percebido: "o Novo Banco foi a mais desastrosa resolução bancária feita alguma vez na Europa". Uma decisão catastrófica apresentada como solução milagrosa. Uma mentira, como se veio a provar, pois ao contrário do que nos quiseram fazer crer, não foi fechado um banco mau (o BES) para ser criado um banco bom (o Novo Banco). E a mentira, vinda de cidadãos eleitos, é uma ameaça à democracia. Assim, António Costa devia pensar duas vezes antes de dizer que se as auditorias provarem má gestão, o dinheiro emprestado terá de ser devolvido. Alguém acredita?

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