Opinião

A indiferença por Belém

A indiferença por Belém

Faltam 20 dias para os portugueses escolherem o presidente da República.

Uma eleição demasiado importante, embora marcada por grande indiferença por parte dos eleitores. O facto de o vencedor estar previamente anunciado será a causa da desmobilização? Ou a indiferença surge pelos candidatos, independentes ou apoiados por pequenos partidos, não atraírem o seu interesse?

Se os primeiros debates entre os candidatos (Marisa Matias/Marcelo Rebelo de Sousa e João Ferreira/André Ventura) servirem de amostra para o esclarecimento que aí vem, estamos conversados. São diálogos que em vez de esclarecer, seja por que razão for, respondem sobretudo a estratégias individuais. Ver a candidata do Bloco de Esquerda quase, quase a dizer que não seria engolir um sapo votar em Marcelo, é estranho. Como o é, sem dúvida, ver Marcelo a dar palmadinhas nas costas em Marisa. Quanto ao confronto entre André Ventura e João Ferreira, se alguém esperava algum esclarecimento teve-o: a estratégia de Ventura é provocar.

Partimos para 24 de janeiro com um vencedor à partida. Mas pode desde já dizer-se, se as projeções que o JN hoje publica se confirmarem, que apesar de Marcelo Rebelo de Sousa garantir a reeleição, isso não significa que mereça a confiança de muitos portugueses. A vitória saberá a pouco: uma esmagadora maioria, mais de 60 por cento dos eleitores, mostra-se indiferente para quem irá morar em Belém nos próximos cinco anos.

Sem desresponsabilizar os que preferem ficar em casa a participar na vida pública votando, devemos todavia olhar para a indiferença crescente dos cidadãos perante a democracia com equivalente preocupação. Aos partidos será sempre, e com justeza, assacada grande parte da responsabilidade neste cenário. A ausência de um candidato apoiado pelo PS não será um sinal de que o voto nestas presidenciais é coisa que pouco vale?

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