Opinião

A vida a perder-se

Viajar para Marraquexe, Casablanca ou Fez não é possível desde o início desta semana. O medo da propagação do novo coronavírus levou as autoridades de Marrocos a isolar oito cidades.

É assim um pouco por toda a parte. Na Europa, há regiões que voltam a fechar portas após algum tempo em desconfinamento. As autoridades enfrentam um desafio enorme: como proteger a saúde pública sem conduzir a população à miséria?

Os números ontem divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística mostram uma caminhada para uma recessão sem precedentes, com uma contração no produto interno bruto, no segundo trimestre deste ano - aquele em que o país esteve praticamente fechado - de 16,5% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Avançamos, portanto, para uma recessão gigantesca.

E não é só em Portugal que as quebras são assustadoras, é assim um pouco por todo o Mundo. A economia está em coma e ninguém é capaz de apontar uma data para a sua reanimação.

À escala mundial, o número de novos casos de covid-19 continua a crescer. Em Portugal, o futuro é olhado com inquietação. Chegado ao fim o período de apoio às empresas através do lay-off simplificado, teme-se a escalada do desemprego e olha-se para o outono/inverno com grande apreensão. Parece evidente que os portugueses não aguentariam medidas de confinamento tão severas como as vividas na primavera. A questão é saber como vamos conseguir manter a vida a correr e conter a pandemia. Imaginar as nossas crianças mais uma vez privadas da escola é aterrador. Não pela não aquisição de conhecimentos num certo período de tempo, mas pela privação de relacionamento social. Enfim, estamos todos a perder um pouco de vida.

* Editora-executiva-adjunta