Opinião

Catalunha: diálogo em vez de prisão

Catalunha: diálogo em vez de prisão

Há um longo caminho a percorrer na crise que está a dividir a Espanha. Não só a Espanha. A Catalunha apresenta-se igualmente dividida. E nada se vislumbra que faça acreditar numa solução para o contencioso.

É, sem dúvida, um conflito político, mas as autoridades espanholas insistem combatê-lo como se de um crime se tratasse. Recusam encontrar uma saída política, permitem que dirigentes catalães, democraticamente eleitos, sejam condenados a penas de prisão (13 anos) que se aplicam a crimes de sangue.

Ontem Pedro Sánchez, o primeiro-ministro espanhol em exercício, visitou os polícias feridos nos confrontos que transformaram Barcelona e outras cidades num campo de batalha, e ignorou o Governo autonómico da Catalunha, da mesma forma que recusou falar ao telefone, ao longo do fim de semana, com Quim Torra, presidente catalão. Esta posição de Sánchez parece significar que Madrid não vê no Governo eleito da Catalunha um interlocutor sério.

As eleições, é certo, estão marcadas para o dia 10 de novembro - e a questão do independentismo catalão, como é fácil de ver, surge demasiado melindrosa para quem aspira chegar ao poder. Com um ato eleitoral assim próximo, o diálogo tão necessário continuará dominado pelo silêncio. Embora, e todos sabem ainda que não o admitam, o diálogo seja o único caminho viável para a crise na Catalunha. A via judicial, encetada pelas autoridades de Madrid, apenas veio extremar mais as posições e corre o risco, com o recurso para o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, de pôr a democrática Espanha num patamar onde o respeito pelos direitos civis está longe de ser contemplado. Não basta colocar a tónica no repúdio da violência.

Tomou conta das ruas, é verdade, protagonizada por grupos que, parece claro, não refletem os sentimentos dos milhares de catalães partidários da independência. Essa é a forma mais preguiçosa de encarar o problema. O que é preciso é ao problema político responder com política - e não com o cárcere.

*Editora-executiva-adjunta

Outras Notícias