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Opinião

Centeno chumba Rio

O candidato social-democrata a primeiro-ministro fez um percurso político baseado, em grande parte, nas boas contas e na seriedade.

Agora, aquele a que chamam o Ronaldo das Finanças vem dizer que as contas de Rui Rio não estão certas. Bem pelo contrário. Há 4750 milhões de euros por explicar, afirma Mário Centeno. É, convenhamos, um montante que talvez para a maioria dos portugueses entre na esfera da abstração.

Rio, sempre na senda do rigor, tem garantido que só cumprirá as promessas - a mais importante, do ponto de vista político, será a de contar o tempo de serviço dos professores na totalidade, se houver folga orçamental para isso.

A campanha eleitoral das legislativas chegou, como era de esperar, ao debate das contas públicas. Sem se esquecer o percurso e a formação académica de Rio, não será, contudo, tarefa fácil rebater Mário Centeno - um desconhecido da opinião pública, em 2015, quando António Costa o desencantou, numa altura em que os mais otimistas desconfiavam da capacidade socialista para combater o défice.

Além de acertar as contas e ter conduzido o país ao défice mais baixo da história da democracia em Portugal (à custa do quê todos o sabem), Centeno tornou-se hábil político. E, como o líder do PSD denuncia, desempenha o papel de ministro das Finanças com o fato de candidato vestido.

Rui Rio percorre o caminho das pedras. Chegará a domingo à noite e, muito provavelmente, o resultado do seu partido não o forçará a convocar um congresso para a escolha de novo líder, o que deixará alguma gente frustrada no interior do PSD. Se assim for, será apreciável o percurso do ex-autarca do Porto nesta jornada para a conquista de S. Bento. Mesmo ficando à porta, mostra - sendo obrigado a combater os que deviam comportar-se como aliados - ser possível defender aquilo em que se acredita sem usar a cartilha do politicamente correto.

Editora-executiva-adjunta

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