Opinião

E se Beja fosse o plano B?

E se Beja fosse o plano B?

A descolagem parece mais difícil a cada dia que passa. A construção do aeroporto no Montijo, como complemento ao da Portela, está num impasse.

Depois do "veto" dos autarcas da Moita, Seixal, Sesimbra, Setúbal e Palmela, sabe-se agora que a Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) também desaconselha essa opção. Ou seja: as condições de segurança não estão garantidas.

À luz do novo dado, continuará o Governo a dizer que não existe plano B? Perante tantas condições adversas, manda o bom senso encontrar uma alternativa.

No parecer enviado à Agência Portuguesa de Ambiente em setembro, e agora divulgado, A ANPC destaca o risco de acidentes com aves, mas também a suscetibilidade da zona a sismos e tsunamis. Mais uma entidade a juntar-se ao coro dos que consideram errada a localização do futuro aeroporto. Terá António Costa condições para insistir numa solução que parece apenas interessar à ANA? Em janeiro de 2019, a empresa de gestão aeroportuária assinou um acordo com o Governo no sentido de expandir o aeroporto para a Margem Sul, adaptando a base aérea do Montijo.

Reconhecer um erro é uma grande virtude. Está na altura de o Governo de António Costa traçar novo destino, ao invés de equacionar a mudança da legislação para contornar o chumbo dos autarcas ao projeto, cujo parecer é vinculativo.

Construir no Montijo, numa zona de proteção de aves, significaria também impactos diretos na qualidade de vida de milhares de pessoas, sobretudo devido ao ruído. Vai o Montijo mitigar o problema de ter um aeroporto junto a uma grande cidade? Basta olhar o mapa para se perceber que não. Seria a oportunidade de o Governo mostrar genuíno interesse pelo interior. A Base Aérea de Beja, com capacidade para aviões de grandes dimensões, está à disposição e potenciaria a criação de acessibilidades rodoviárias e ferroviárias para o interior alentejano. Uma solução, sem dúvida, com múltiplos benefícios.

*Editora-executiva-adjunta

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