Opinião

Era bom que trocassem umas ideias connosco

Era bom que trocassem umas ideias connosco

O que ficará desta campanha eleitoral, para além de troca de acusações entre os dois principais candidatos a primeiro-ministro? Nada ou quase nada. A crise profunda que pinta de negro o quotidiano teria sido oportunidade de ouro para discutir o país.

A campanha, todavia, passa ao lado do futuro. Queda-se, com raras excepções, pelo arremesso de críticas. Propostas, um rumo para Portugal, os maiores partidos, que o governam há mais de trinta anos, não o revelam ou não o têm para revelar. Quem quer que seja que, no próximo domingo, receba a confiança da maioria dos portugueses para liderar o país pouco nos diz do que nos espera.

Um Estado liberal ou um Estado social? Não vamos para além disto na vertigem de sound-bites que pontuam o dia-a-dia dos partidos. Em ruidosas caravanas atravessam Portugal, mais o litoral que o profundo, perante uma inquietante indiferença dos cidadãos, embora a campanha domine 24 sobre 24 horas o dia-a-dia informativo. Será esse ruído de fundo, quase vazio de conteúdo, que afasta os portugueses?

O que nos vai acontecer a partir de 6 de Junho? Parece ninguém saber, mas sabem com certeza. Os técnicos do FMI estão aí, ditaram as regras. Jerónimo e Louçã falam, afirmam que o memorando, ou os memorandos da troika, não servem aos portugueses. Mas é isso, enfim, que nos está reservado nos próximos anos. Os candidatos ao poder, esses, deveriam explicar de que forma colocam em marcha os memorandos. E não dizem. O ex-presidente da República Jorge Sampaio tocou nesse ponto. Falta falar no que vem a seguir às eleições, ou seja, nas medidas previstas no acordo de ajuda externa e nos compromissos que implicam. O nosso futuro imediato anda por aí: por isso mesmo era bom que trocassem umas ideias connosco, para sabermos como estão a pensar em distribuir sacrifícios.

É de Portugal que deveríamos estar todos a falar. Mas os líderes da caravana parecem pouco interessados. Chutam mais uma vez para canto. O que não deixa de ser significativo.

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