Opinião

Greta fala por nós

Em Madrid, centenas de pessoas, desde ativistas das mais longínquas organizações não-governamentais, cientistas e assessores políticos, estão reunidas com um propósito claro: traçar o caminho rápido para travar as alterações climáticas.

Nos primeiros dias, a discussão foi técnica, com vista a dar instrumentos de decisão aos políticos. Durante esta semana, os políticos deverão trabalhar um documento final, para servir de ponte entre o que ficou acordado em Paris, em 2015, e o que será definido em Glasgow, no próximo ano.

Serão os políticos capazes de responder ao grande desafio que se coloca de forma cada vez mais assustadora? No exterior das salas onde decorrem os encontros, nas ruas de Madrid, é isso que milhares de pessoas exigem. É o sinal claro de que o combate às alterações climáticas salta do plano do discurso para o dos gestos concretos, que podem ainda alterar o curso dos acontecimentos. Trata-se de descobrir a chave que permita ao Mundo encontrar o caminho para a neutralidade carbónica, algo que transita do Acordo de Paris. E o que estão, afinal, os países a fazer? Muito pouco, sem dúvida. Ao mesmo tempo que os discursos nos dão conta da urgência no agir, vemos os governos divididos entre a indiferença ou mesmo a negação e outros, menos céticos, a apontar metas para o longo prazo. Irá a Humanidade a tempo de travar alguma coisa em 2050?

Só os mais otimistas acreditam nessa mudança radical. Ao ritmo que as catástrofes naturais se sucedem, cada vez mais frequentes e não menos inclementes, ao vermos as metas propostas a cada cimeira serem tornadas irreais antes de a próxima acontecer, tudo parece irreal. Talvez por isso o Mundo se agarre à figura de Greta Thunberg, como uma espécie de catarse, por ela apontar aos políticos o que todos pensam - mas sem capacidade de se fazerem ouvir.

Editora-executiva-adjunta

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