De passagem

Andantes sem rede

Faltam poucas semanas para o quotidiano voltar à normalidade, passando as férias a uma doce recordação. E a expectativa existente sobre a possibilidade dos custos com transportes virem a ter menor impacto no orçamento familiar não se cumprirá ainda. Pelo menos para quem vive na Área Metropolitana do Porto (AMP), onde pouco mudou desde a implementação de uma das principais medidas desta legislatura: o programa de redução tarifária nos transportes públicos.

Enquanto nos concelhos da Área Metropolitana de Lisboa os utentes dos transportes viram, efetivamente, reduzida a fatura, no Porto tudo é incipiente. Quem perde são as pessoas e a qualidade do ar que respiramos.

O alargamento da rede andante, dependente da renovação das concessões às empresas transportadoras, virou miragem sucessivamente empurrada para um tempo longínquo. Com efeito, os utentes da AMP não dispõem de um teto de 30 ou 40 euros no preço do passe. Uma larga fatia dos residentes na AMP continua a pagar dois passes, porque continua excluída da rede andante. Ou seja, o esforço financeiro para chegar à escola ou ao local de trabalho é o dobro em relação aos utentes que, no seu concelho, usam o mesmo passe em toda a rede de transportes - em vez de 40, paga 80 euros por mês.

A quantia de 80 euros é a que uma família devia pagar no máximo em transportes públicos, independentemente do número de membros do agregado familiar. Mais uma vez, enquanto em Lisboa o sistema se encontra implementado, no Porto os responsáveis pela Junta Metropolitana, que tem o pelouro dos transportes, dizem, sem que o nariz lhes cresça, estar a estudar um sistema para evitar a fraude. Chamam-nos, portanto, desonestos. Não somos.

Como em Lisboa, também no Porto, que por acaso fica no mesmo país, o meio de conferir o agregado familiar é através dos rendimentos declarados à Autoridade Tributária, entidade quase infalível quando se trata de zelar pelo erário público.

E assim, fazendo de nós parvos, não nos dizem quando seremos tratados de forma igualitária em relação aos portugueses que vivem mais a sul. São políticos anacrónicos estes ao não assumirem que o PART, na sua essência, visa diminuir o impacto ambiental do transporte individual.

*Editor-executiva-adjunta