Opinião

As questiúnculas de Rio

As questiúnculas de Rio

José Silvano é secretário-geral do PSD, o maior partido da oposição, tem alternado no poder e aspira voltar à liderança do país. Por isso, Silvano anda por Portugal, na companhia do presidente dos sociais-democratas, em sucessivas reuniões. Sem grande tempo, portanto, para exercer as tarefas de deputado. Por tal motivo, o melhor seria renunciar ao cargo na Assembleia da República, e, assim, evitaria a caricata situação de pedir aos seus colegas deputados para assinarem o ponto por ele.

O líder do PSD dispensaria, com certeza, este episódio lamentável a desgastar um pouco mais a sua liderança. E, rigoroso, tão cioso da ética, como se apresenta, não devia tratar o assunto como "uma pequena questiúncula". É muito mais que isso. Revela a pequenez do homem escolhido para secretário-geral do partido, alguém que deveria estar ao serviço do país, mas, pelos vistos, carece da dimensão exigida. Ao antigo autarca de Mirandela ninguém nega o direito a faltar para cumprir trabalho político, todavia assume a perda da jorna - 69 euros - atribuída por cada dia de trabalho parlamentar. Mas para quê tal desperdício, se alguém faz o favor de assinar por ele? Regista o seu login e, pronto, fica acionado o dom da ubiquidade: Silvano não está, mas é como se estivesse no Parlamento.

Rui Rio, embora considere o episódio desagradável, quis suavizá-lo, classificando-a como pequena questiúncula. E, como é da sua natureza, aponta os jornalistas como alvo: em vez de olharem para o programa do PSD para o país, valorizam banalidades. Rio sabe, tem de saber, mas não reconhece, que uma coisa é indissociável da outra. São os homens que governam. E se o secretário-geral do seu partido, na qualidade de deputado, assina por interposta pessoa o ponto e se põe a andar, apenas com o objetivo de receber a jorna, não terá a dignidade necessária para integrar o Governo. Como, de igual modo, faltará aos cúmplices de Silvano na Assembleia da República. A democracia, é bom lembrar, também é posta em perigo nas pequenas questiúnculas.

* EDITORA-EXECUTIVA-ADJUNTA

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