Opinião

O país de Centeno

Há portugueses forçados a mudar de terra para ter direito à saúde, há grávidas angustiadas por não saberem se quando o bebé decidir nascer a maternidade da sua área de residência estará aberta ou terão de fazer centenas de quilómetros para dar à luz.

Isto acontece no Algarve, uma região que existe no verão, quando é invadida por forasteiros, mas os que lá vivem todo o ano parecem esquecidos. Os casos vieram relatados na edição de domingo do JN. Hoje damos conta de outras situações ainda na área da saúde, como o facto de Portugal ser dos países europeus em que os seus cidadãos têm de esperar mais para ter acesso a medicamentos inovadores (cerca de dois anos).

A saúde é de longe o setor que mais afeta a vida das pessoas, por ser ali que pode enfrentar a fronteira entre a vida e a morte. Mas há muitas outras áreas das nossas vidas em que às vezes tudo parece correr mal ou, pelo menos, não tão bem como nos querem fazer crer. Basta olhar para a travessia do Tejo para perceber a incerteza dos que dependem dos barcos nas deslocações para o trabalho. Ou ouvir os protestos dos utentes dos comboios ou do metro...

E embora alguns arautos anunciem que vivemos num país simplex, em que tudo se alcança com um mero clique, o que levará certos masoquistas a irem para o Instituto dos Registos e Notariado de madrugada para substituir o cartão de cidadão?

António Costa, o otimista incorrigível, foi à Assembleia da República fechar o ano parlamentar e sublinhou que o país cresceu 9% neste últimos quatro anos. Talvez esteja aí a explicação para os problemas que subsistem num país que, como o primeiro-ministro reconhece, não é um oásis. É bom ver Costa reconhecê-lo. Conseguirá o hábil político fazer mudar de opinião o ministro Mário Centeno?

Editora-executiva-adjunta