Opinião

Passe de mágica

Estaria António Costa com receio de que os portugueses pensassem que o passe único era mentira de 1 de abril? Só isso poderá explicar a sua presença mais uma vez - a terceira - na apresentação da medida.

Perante tantas aparições, é difícil não classificar esta pequena revolução como eleitoralista. Embora isso seja o que menos importa. O primeiro-ministro, com uma carta destas na manga, não a ia lançar em pré-campanha eleitoral? Não sejamos cínicos. Ao contrário de muitas outras, poderíamos enumerar centenas delas, anunciadas com alarde em clima eleitoral e não trouxeram qualquer vantagem, o Programa de Apoio à Redução Tarifária torna de facto melhor a vida dos portugueses. Em diferentes planos. A curto prazo, na poupança das famílias; e a longo prazo, na saúde dos portugueses e do ambiente em geral: devido à qualidade do ar ganha com a diminuição dos automóveis particulares a circular.

Tudo isto, enfim, encerra uma meia- -verdade. Na Área Metropolitana do Porto (AMP) por 40 euros (preço de custo do passe único) não será possível, por enquanto, utilizar os transportes públicos a operar nos 17 concelhos. A 1 de abril, na região do Porto, pouco mudou. Os passes custam 40 euros, é certo, apenas para a rede andante implementada, até ao momento, em 27 zonas da AMP. O passe único só será um certeza na região quando entrarem em funcionamento as 96 zonas propostas - isso depende, para já, das empresas de transportes instalarem ou não os validadores automáticos.

Também o passe família não será tão cedo uma realidade para todos. Na AMP um agregado, independentemente do número de membros, pagar um limite de 80 euros é ainda e apenas uma promessa. Em Lisboa começa a 1 de julho, no Porto não se sabe. Viveremos em países diferentes?

*EDITORA-EXECUTIVA-ADJUNTA