Opinião

Porvir apocalíptico

Porvir apocalíptico

Talvez seja cedo ainda para António Costa vir dizer: "Monchique foi a exceção que confirmou o sucesso". Não esqueçamos, Monchique aconteceu mal se verificaram as primeiras condições meteorológicas adversas neste verão atípico. E como o primeiro-ministro bem sabe - afirmou-o no ano passado, no rescaldo dos trágicos incêndios de Pedrógão -, fogos desta natureza, de grandes dimensões, vão repetir-se.

Sem desculpar o enorme desordenamento da floresta nacional (este ano, sem dúvida, mereceu especial atenção), os cientistas há muito alertam para o que agora está perante os nossos olhos. Na terça-feira, mais um artigo científico devastava as últimas ilusões de que a terra queimada, ano após ano, não tinha de ser uma fatalidade. O planeta Terra aquece, e caminha para um ponto de não retorno. Com os níveis de desflorestação em crescimento, o gelo dos polos a derreter a um ritmo perigoso, os automóveis e os aviões continuam a circular como se isso não tivesse qualquer impacto no imenso local onde habitamos. Atualmente a temperatura está um grau acima da média registada na era pré-industrial. Ao ritmo que arruinamos os recursos, pouco demorará a atingirmos os dois graus acima da média. Os cientistas avisam ser esse o ponto de não retorno: o planeta Terra transformar-se-á numa estufa. Este verão tivemos já sinais claros desse porvir apocalíptico. A Escandinávia derreteu e a sua floresta, algo impensável, foi devorada pelas chamas.

Se se prosseguir o caminho, de nada valem acordos como o de Paris. É trágico, mas os céticos, por convicção ou interesses obscuros, negaram o aquecimento global, prevaleceram. Não andarão por cá, é provável, para ver o planeta a arder. Incêndios como o de Mati, na Grécia, ou da serra de Monchique serão a norma. "Nós fizemos tudo bem", disseram os habitantes de aldeias de Monchique. É verdade, mas outros persistem no desacerto.

* EDITORA-EXECUTIVA-ADJUNTA

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