Opinião

Um passe de duplo efeito

Um passe de duplo efeito

É das medidas de maior alcance apresentadas por este Governo. Pelo que representa no orçamento das famílias, mas também pelo seu significado enquanto atitude e impulso para um relacionamento mais sustentável dos portugueses com os transportes.

E é também, não o esqueçamos, uma gigante ação de marketing do Executivo de António Costa a iniciar a caminhada para as eleições europeias e legislativas. Para muitas famílias, como fez questão de lembrar o primeiro-ministro - à revelia de todas as recomendação da CNE, na sessão e apresentação em Lisboa -, "o passe único equivale ao aumento de quatro anos de salário mínimo".

Não devia, porém, ser implementado a duas velocidades, sob pena de perpetuarmos a fatalidade: os que vivem na Área Metropolitana de Lisboa tratados como portugueses de primeira, o resto do país pode esperar. O novo passe dos transportes que entra em vigor no dia 1 de abril, é, sem dúvida, um passo importante de apoio à economia familiar e de defesa da qualidade do ar que respiramos. Não adianta subscrever acordos como o de Paris, de combate às alterações climáticas, se no terreno não se implementarem medidas concretas. A criação do passe único é uma dessas medidas fundamentais para a redução da emissão de gases com efeito de estufa, se tivermos em conta que o seu objetivo principal é levar os portugueses a trocarem o carro pelo transporte público - e não, simplesmente, deixar os portugueses com mais dinheiro ao fim do mês.

Há sempre um pequeno senão. Se em Lisboa, a partir de 1 de abril, usar o transporte público custará 40 euros por mês (a partir de julho 80 por família), na Área Metropolitana do Porto fica tudo mais ou menos como está. Mais barato é certo. Mas a discriminação permanece. E nos concelhos que ainda não aderiram ao Andante (a maioria) o passe único é uma miragem dependente das transportadoras instalarem novos validadores nos veículos. É caso para perguntar: de que estiveram à espera?

*Editora-executiva-adjunta

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