Opinião

Jogo de máscaras

Só quem anda mesmo muito distraído poderá achar que a medida, anunciada ontem pela Direção-Geral da Saúde (DGS), acrescenta alguma coisa à maneira como nos relacionamos com este vírus instalado, há meses, nas nossas vidas.

Basta sair à rua para perceber que uma larga fatia da população faz o seu dia a dia de máscara colocada no rosto. Por respeito pelos outros, por medo ou apenas seguindo uma velha regra da prudência: "mais vale prevenir que remediar". Como ficaram em casa antes de um decreto o decidir, de igual modo agora os portugueses mostram não depender das conferências de Imprensa da DGS para pôr em prática gestos de bom senso. E se é da esfera do senso comum os assuntos tratados nos briefings da autoridade da saúde, é legítimo questionar a sua utilidade.

Graça Freitas, diretora-geral da Saúde, não tem sido feliz na sua relação com a proteção facial. Começa sempre por resistir, acaba rendida. E serve-se do melhor argumento, ao recorrer à atualização do conhecimento científico. Inicialmente dizia não ver qualquer necessidade no uso de máscara, depois passou a achar indicado o seu uso em espaços fechados - agora anuncia a recomendação do uso de proteção facial ao ar livre, quando não for possível manter o distanciamento social.

De facto, o conselho da DGS, do uso ou não de máscara, não fará a diferença nos tempos difíceis que se avizinham. Proteger os mais vulneráveis e olhar para os outros doentes - livres da covid, mas sofrendo de outros males -, parece ser, neste momento, uma das prioridades. Esta sim fundamental, apesar de tardia.

Não se pode manter vedado o acesso aos cuidados de saúde. É urgente pôr termo à política que barra a ida aos centros de saúde, que afasta utentes avisando-os de que só devem deslocar-se após contacto telefónico. Uma boa prática, sem dúvida. Mas, é verdade, no outro lado da linha estão sempre demasiado ocupados para poder atender a chamada.

*Editora-executiva-adjunta

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