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No ponto de não retorno

No ponto de não retorno

Fenómenos climáticos como aquele a que assistimos em julho, na Alemanha, com quase 200 mortos em resultado das inundações, ou violentos incêndios como os que por estes dias devastam Grécia, Turquia, Itália, Sibéria e Califórnia, serão o novo normal.

Há décadas, desde a histórica Cimeira do Rio, em 1992, há o aviso de ocorrência de fenómenos climáticos extremos. Mas, desde essa altura, olhamos para esses cenários no futuro, muito lá longe, quase como um filme de ficção científica. Afinal, percebemos agora, o futuro já é passado. E ninguém poderá alegar falta de informação de que as calamidades iriam acontecer, se continuássemos a viver como se a nossa Casa Comum, o Planeta, pudesse ser destruída e substituída por outra.

Fizemos pouco, temos de o reconhecer. É verdade, a rapidez com que fenómenos anormais - consequências do aquecimento global - eclodiu surpreende até os cientistas. E isso deve ser mais um alerta.

Encontramo-nos no ponto de não retorno. O relatório do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas das Nações Unidas, ontem divulgado, estima que o limiar do aquecimento global (de +1,5° centígrados) em comparação com o da era pré-industrial, será atingido em 2030 - 10 anos antes do que tinha sido projetado. Ou há uma mudança radical ou, ao contrário do que anteriormente se pensava, não serão as novas gerações a herdar um planeta onde é difícil viver. Seremos ainda nós a viver com grandes dificuldades, pois serão mais frequentes os desastres ambientais.

O relatório das Nações Unidas servirá de instrumento orientador para a cimeira do clima, a decorrer em novembro, na Escócia. Como noutros encontros, provavelmente chegar-se-á a grandes compromissos. E como noutras vezes, ficarão no papel. O nosso contributo não pode limitar-se a separarmos os resíduos, trocar o carro a gasóleo por um elétrico, instalar painéis solares. Gestos fundamentais, sem dúvida, mas insuficientes. A diferença estará em exigir aos políticos, àqueles em quem votamos, que façam diferente - de uma vez por todas.

*Editora-executiva-adjunta

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