O Jogo ao Vivo

Opinião

O medo no regresso às aulas

O medo no regresso às aulas

Na próxima segunda-feira, os alunos do 11.º e 12.º anos deveriam regressar à escola, de forma parcial.

O que constituiria um motivo de alegria, em primeiro lugar para os estudantes, mas também para os professores e os pais, está a transformar-se num apelo ao medo. Tenho sérias dúvidas sobre o recomeço das aulas presenciais: não por ausência de condições para que tal aconteça, mas por falta de alunos.

Pela minha parte, de certeza muitos me classificarão como uma mãe negligente, estou contente por ver o meu filho, de 16 anos, voltar à escola. Está retido em casa desde 14 de março, sem qualquer contacto com os amigos a não ser os que estabelece virtualmente. Nem todos os pais terão a minha atitude. Não me resta senão respeitar.

Já não merece qualquer respeito a atitude de alguns professores na desmobilização do regresso à escola. Chegam-me relatos de docentes a aconselhar os seus alunos a frequentarem apenas a disciplina em que estão inscritos em exame.

Será isto pedagógico? Não me parece. Até agora não temos qualquer motivo para desconfiar das diretivas da autoridade da saúde. Acredito que estejam reunidas as condições para os alunos frequentarem a escola em segurança. Sem turmas gigantes, como tem sido prática, com circuitos bem estabelecidos, horários feitos de forma a que os alunos não fiquem nas instalações escolares para além do necessário.

Há sinais, no entanto, de que o regresso à escola não aconteça efetivamente. Os professores, uma classe envelhecida, temem o contacto com o vírus. Corremos assim o risco de voltar a esta mesma discussão lá para o final de agosto, com a classe docente e os sindicatos a perguntar se é seguro recomeçar as aulas. Enquanto prevalecer o discurso da desconfiança, o medo continuará a ter tudo.

* Editora-executiva-adjunta

PUB

Outras Notícias