Opinião

Os direitos humanos na gaveta

Os direitos humanos na gaveta

A Suécia e a Finlândia, até agora países neutrais, devem assinar amanhã o acordo de adesão à NATO. O primeiro-ministro turco levantou a ameaça de veto, após ter a garantia de Estocolmo da extradição de dezenas exilados políticos curdos. Sem dúvida, um preço demasiado elevado. O senhor Erdogan, que governa a Turquia de forma pouco democrática, terá a grande festa preparada.

A concretizar-se o que em Istambul é considerado como certo, a Suécia dará um sinal perigoso: é um enorme recuo na defesa de minorias, ao longo de décadas duramente perseguidas. Até agora, os curdos tinham encontrado na Suécia um refúgio, mas esse lugar de exílio seguro parece deveras ameaçado.

De acordo com as palavras do secretário-geral da NATO, na Cimeira de Madrid, a Finlândia e Suécia comprometem-se a apoiar totalmente a Turquia contra ameaças à segurança nacional. Tal decisão implica "emendas às legislações nacionais, reprimir as atividades do PKK e chegar a um acordo com a Turquia sobre extradições".

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O ministro da Justiça sueco não tardou, porém, a esclarecer o acordo. Num Estado de direito como é a Suécia, sublinhou, a decisão de extraditar apenas poderá ser tomada pelos tribunais. No acordo de Madrid, garantiu o ministro, ficou lavrado tudo ter de ser feito dentro das normas do direito internacional.

O tempo dirá que preço pagará uma democracia europeia, defensora das minorias, para integrar a organização de defesa do Atlântico Norte. Para já, Erdogan tem festejado o feito de, finalmente, pôr a mão em refugiados políticos que o regime turco considera terroristas.

Se é essa a contrapartida pela entrada da Suécia na NATO, estamos a assistir à capitulação de nobres valores de defesa dos direitos humanos. Esperemos que os suecos, as democracias em geral, não venham a envergonhar-se desse passo.

*Editora-executiva-adjunta

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