Opinião

Outra vez a incerteza

Quando o país começava a respirar de alívio e a acreditar que a vida regressava finalmente à normalidade, eis que a incerteza volta a pairar no horizonte breve.

Assistimos impotentes ao aumento de casos de covid em Lisboa sem se vislumbrar qualquer medida que vise conter o crescimento dos contágios, exceção para o "cerco à área metropolitana" de duvidosa eficácia - como se estivessem a travar o vento com as mãos, como alguém já classificou a medida.

António Costa bem pode dizer que Lisboa não terá tratamento distinto das outras regiões do país e as medidas a ser tomadas sê-lo-ão de acordo com os prazos estabelecidos. Uma perda de tempo, como vários especialistas apontam.

O que o primeiro-ministro não referiu é que Lisboa não deve ser comparável ao resto do território português. No que diz respeito à imagem que passa para o exterior, a capital será tomada como o retrato de Portugal, não haja ilusões. A continuar a velocidade de contágio, não tardam as campainhas a soar o alarme: e a débil retoma do turismo dará um novo tombo, com tudo o que isso traz de prejudicial para milhares de pessoas dependentes deste setor.

Uma situação deveras difícil para quem toma decisões. Com o Rt e a taxa de incidência juntos a mostrar que a pandemia está fora de controlo, a reboque do que se está a passar na capital, o Governo ou aperta as medidas, e volta a confinar alguns setores de atividade, ou em alternativa altera os critérios da matriz de risco, habilitando-se a ser acusado de estar a alterar as regras a meio do jogo apenas para não confinar o país.

Devia tê-lo feito antes, uma vez que o número de óbitos e de internamentos está ainda longe da fase mais crítica. Não o fez. Em vez de decidir politicamente, fez aquilo que os peritos, epidemiologistas e matemáticos, defendiam. Decidir agora será muito mais difícil. Para todos.

*Editora-executiva-adjunta

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