Opinião

Portugueses deram a volta à crise

Portugueses deram a volta à crise

Os portugueses, acredita D. Manuel Clemente, conseguiram dar a volta à crise. É um ponto de vista caridoso do patriarca de Lisboa, em quadra natalícia, "tempo de ser bom". Se entender o dar a volta como mais pobreza, sobreviver na penúria, famílias com fome, conseguiram efetivamente.

E fizeram-no de forma serena, revolta contida. Fizeram-no sem convulsões, sem estilhaçar montras, sem arremesso de cocktails molotov, como vimos noutros países. Quer D. Manuel Clemente queira ou não, aí também deram a volta à crise - não tiveram outro remédio.

O patriarca de Lisboa, numa entrevista ao jornal digital "Observador", enaltece o português, porque não reagiu pela violência à brutal austeridade. Não estaria, com efeito, à espera que da mais alta figura da Igreja em Portugal irrompesse um apelo à revolta dos que já quase nada têm a perder. Mas é de travo bem amargo o elogio a esta forma de sofrimento resignado.

A hierarquia da Igreja portuguesa parece contentar-se perante a frugal partilha de quem pouco possui com aqueles que ainda têm menos. Veremos até quando a corda aguenta. D. Manuel Clemente acredita, os portugueses talvez não. Ao contrário do que certas vozes anunciam, a crise continua por aí. Dá sinais de que não nos abandonará tão cedo.

A troika foi e não foi embora. Como, aliás, estava previsto desde o início. Com frequência, sem qualquer dissimulação, puxa as orelhas a um Governo atrevido. Atrevido, sim. Teve a audácia de aumentar o salário mínimo - há anos congelado - em 15 euros. Insaciável, a troika, clama por mais, mais austeridade. O patriarca de Lisboa pode ter a certeza: os portugueses vão continuar a dar a volta à crise.

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