A abrir

Quem acredita no banco mau?

Quem acredita no banco mau?

Voltamos a ouvir falar de um banco mau. António Costa aponta a sua criação para solucionar o problema de capitalização da Banca portuguesa. Será esta uma boa ou uma má notícia? Se quisermos acreditar na bondade da iniciativa do primeiro-ministro, somos levados a crer que se trata de uma medida positiva. Mas o passado recente tornou-nos céticos, ou cínicos, e por isso somos prudentes e usamos da desconfiança.

"Acho que era útil ao país encontrar um veículo de resolução do crédito malparado, de modo a libertar o sistema financeiro de um mono que dificulta uma participação mais ativa nas necessidades de financiamento das empresas portuguesas". Palavras de Costa, que considera útil o tal veículo, sem explicar como seria conseguido. E a bondade da iniciativa depende, precisamente, da forma escolhida para a sua concretização. Dados recentes, citados pelo "Diário Económico", revelam que o crédito malparado representa na carteira da Banca nacional cerca de 20 mil milhões de euros - o equivalente a cerca de 11% do PIB.

Se António Costa pretende limpar o crédito malparado da Banca, tudo bem. Desde que não exija aos portugueses nem mais um cêntimo. E aí reside a dificuldade. Terão os bancos capacidade de libertar o crédito malparado - constituído sobretudo por imobiliário - que ninguém parece interessado em adquirir e substituir esse património, considerado um ativo, por dinheiro? Ninguém minimamente atento acreditará em tal possibilidade.

E o passado deve obrigar-nos, enquanto cidadãos, a uma vigilância redobrada. Entre 2008 (ano apontado como tendo sido o do início da crise financeira) e 2015, o custo da Banca, para o Estado, foi de 14,6 mil milhões de euros e os contribuintes só terão recuperado 14%. Uma situação, enfim, a evitar.

O primeiro-ministro não pode assinar ao lado do seu homólogo grego um manifesto antiausteridade e, ao mesmo tempo, inquietar os portugueses com mais um cenário de assalto aos nossos bolsos para que os bancos comecem uma nova etapa. E, desse modo, financiar a economia. O passado não pode ser esquecido. A concessão de crédito sem garantias, entre outros motivos de duvidosa legalidade, conduziu a Banca ao beco onde se encontra agora.

EDITORA-EXECUTIVA-ADJUNTA

PUB

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG