Opinião

Gerações à rasca

Vamos esquecer que o presidente da República fez uma intervenção que muitos consideraram ser um tiro de um "sniper" de mira apontada ao Governo, até porque o presidente já esclareceu que disparou indiscriminadamente. Vamos esquecer que o PS e o PSD andam à procura da melhor táctica que cubra a falta de estratégia.

Hoje há manifestações de uma geração que considera viver à rasca. Não fui o primeiro a perceber que esta geração, na casa dos 20/30 anos, se queixa de barriga cheia. Fez o curso que os pais e os avós não sonharam fazer, foi para a universidade de automóvel, recebeu durante a fase de aprendizagem quase tudo com o que sonhou. Agora deram de frente com a realidade, que chatice, a vida custa a ganhar.

Não quero com isto dizer que a geração que agora chega ao mundo de trabalho não está a ser sacrificada. Está! É a mais bem preparada de todas as gerações, estudou, sonhou com um mundo melhor e ele não se concretiza, mas os seus pais e os seus avós, que tudo fizeram para que a vida deles fosse melhor, chegaram a um beco sem saída.

A geração à rasca queixa-se da vida que leva, sustentada pela geração que falhou o futuro? Esta geração que agora protesta só tem de imaginar como vai ser a vida daqui a 40 anos, o tempo mínimo para descontar para a reforma, e imaginar que vão ter de viver com o que amealharem. Porque, agora, vivem do que a geração dos seus pais juntou ou lhes deu, endividando-se.

À rasca estão os "velhos" a quem querem mexer na reforma. O pouco que têm foi poupado e está hipotecado em benefício da geração do consumo.

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