Opinião

Solidariedade: o antivírus mais poderoso

Solidariedade: o antivírus mais poderoso

Para os que se julgam muito corajosos e saem de casa não cumprindo as regras do bom senso, mantendo distância das outras pessoas, evitando grandes ajuntamentos, julgando que não lhes acontece nada, é preciso convencê-los a trocar a coragem pela inteligência, porque não é só a vida deles que está em causa, é também a de todos os outros com que se cruzam e que não têm como escapar a esse perigo.

Falo de médicos, enfermeiros, auxiliares, polícias, bombeiros, padeiros, trabalhadores de supermercados e farmácias, trabalhadores da recolha de lixo e tanta mais gente que tem de continuar a sair de casa para que a nossa vida continue.

Para os que se sentem muito corajosos e se revelam pouco inteligentes, importa igualmente dizer que o seu dever de solidariedade não os obriga a ficar reclusos em casa. Podem sair, devem sair. Para ir ao supermercado ou à farmácia e mesmo para dar um curto passeio, mais ainda quem tem filhos, mas em zonas com pouca gente, onde seja possível manter distâncias seguras entre os que se exercitam no exterior de casa.

Solidariamente, porque uns saem por vontade própria e outros porque a isso estão obrigados, devíamos estar desde já a exigir ao Estado e aos privados a criação de um subsídio de risco para todos os trabalhadores que se mantêm no ativo fora de casa, ao mesmo tempo que se devia garantir a esses mesmos trabalhadores tempo de férias acrescido quando tudo isto passar.

O momento convoca-nos a todos para níveis de solidariedade que, parece, não estamos capazes de atingir. Mas vamos ter de nos superar, porque o pior ainda está mesmo para vir. Pior na saúde e muito pior na economia e no emprego.

A primeira das solidariedades devia estar a acontecer entre países da União Europeia, em particular na Zona Euro, onde o acesso aos mercados financeiros devia estar a ser feito com eurobonds, única forma das economias mais fracas não acabarem mortas pela cura, como aconteceu no pós-2008.

É também chegado o momento de olhar para África e para a América Latina, sabendo da extrema fragilidade dos seus serviços de saúde, e antecipar a ajuda que vamos ter de fazer lá chegar. Sairá sempre mais barato e será sempre mais eficaz, antes cedo que tarde.

Finalmente, tendo ainda assim os níveis de solidariedade que mantêm uma sociedade saudável, era bom ter também mão dura com todos os imbecis que se aproveitam desta crise para enriquecer, especulando com produtos que se tornaram de primeira necessidade.

*Jornalista

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