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Paulo Ferreira

Ainda há pistas mágicas

Talvez seja a solidariedade, como diria Kafka, o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana. São dois palavrões, estes: solidariedade e dignidade humana. Ninguém se atreve a contestá-los. Coisa bem diferente é praticá-los. A vida estuga de tal forma o passo que com facilidade esquecemos o que nos ensina o eixo da roda: por mais apressada que esta ande, o eixo mantém-se sempre no mesmo sítio. Na roda está o quotidiano; no eixo estão os valores, como a solidariedade e a dignidade humana.

Paulo Ferreira

Rio e o Galo de Cheshire

Quando, na passada terça-feira, Rui Rio deu uma conferência de Imprensa para dizer que está sem disposição para debater com Paulo Rangel, preferindo focar-se no combate a António Costa, lembrei-me do Gato de Cheshire, personagem de "Alice no País das Maravilhas". Uma das mais intrigantes figuras da extraordinária obra de Lewis Carroll, o gato tem o dom de aparecer e desaparecer quando lhe apetece. Faz parte do conto, mas é como se não estivesse lá. Quando tenta ajudar Alice a enquadrar-se naquele mundo louco, fá-lo com narrativas confusas.

Opinião

Passos, Rio, Seguro, Costa e o país

A importância do que hoje se joga nas eleições primárias do PS está muito para lá da mera escolha do novo líder socialista e futuro candidato a primeiro-ministro. Vença quem vencer, o dia seguinte nascerá com duas inevitabilidades. O sangue das navalhadas dadas durante este combate começará a correr em abundância. Até agora, a coisa foi-se amenizando com curativos; a partir de agora, estará exposto um partido em carne viva, carregado de feridas muito difíceis de curar. Por outro lado, as pedras colocadas no xadrez político começarão a mover-se bastante mais às claras e com bastante mais vontade de ganhar posição, sobretudo dentro do PSD.

Opinião

O Estado à moda de Carlo Ponzi

É sempre a mesma coisa: lá para junho, julho de cada ano, instala-se uma discussão, entre conhecidos e amigos, sobre o montante de IRS a receber, ou a pagar. Os que pagam queixam-se, por levarem mais um rombo nas finanças. Os que recebem contentam-se, por terem acesso a uma maquia que, por mais pequena que seja, dá sempre jeito para ajeitar as contas caseiras. Todos, ou quase todos, esquecem o essencial da discussão: pagando ou recebendo, integram a legião de portugueses que empresta dinheiro ao Estado a custo zero. Trata-se de um grande negócio. Mas apenas para uma das partes, por acaso a mais forte.